Economia

A CADEIRA DO COMPANHEIRO


O monarca Luís XIV entrou para a história com um frase. ?O Estado sou eu?, disse o rei. Na era Lula, o Estado é o partido. Desde que chegou ao poder, o PT já ocupou milhares de cargos federais. A diferença é que, hoje, um dos principais critérios para se conseguir um bom emprego no setor público federal é ser filiado ao partido. Na terça-feira 6, a deputada Yeda Crusius (PSDB/RS) finalizou um levantamento sobre os cargos ocupados seguindo critérios políticos. Sua contabilidade aponta nada menos que 19 mil nomeações. Como os filiados destinam entre 2% a 10% do salário ao partido, Crusius estima que o PT arrecadaria por volta de R$ 29 milhões ao ano. ?O loteamento é feito para ampliar o caixa petista?, disse a deputada. No PT, porém, as contas são outras. O tesoureiro do partido, Delúbio Soares, admitiu à DINHEIRO que 1,3 mil militantes, lotados em postos federais, contribuem com o partido. Todos eles estão alocados em cargos cujos vencimentos são superiores a R$ 4,8 mil mensais e a arrecadação do partido, segundo Delúbio, seria próxima a R$ 4 milhões por ano. O objetivo do tesoureiro é dobrar a arrecadação até maio.

Independentemente da quantia, o fato é que as nomeações políticas têm chegado aos escalões técnicos da burocracia federal. Um exemplo vem ocorrendo no BNDES. Até mesmo cargos intermediários, como chefes de departamentos e gerentes, se tornaram alvo do apetite partidário. ?Isso criou uma cizânia dentro do banco?, diz um funcionário. ?Só chega a chefe quem for do PT.? Nos Correios, das 24 diretorias regionais da empresa, nada menos que 20 foram ocupadas politicamente. A Embrapa, empresa de pesquisa que ajudou a impul-
sionar o agronegócio brasileiro, está paralisada pelo mesmo motivo. Isso porque parte do orçamento da Embrapa vinha das parcerias com a iniciativa privada, que garantiam cerca de R$ 70 milhões por ano, mas estão suspensas. Hoje, quem manda e desmanda na empresa é o sindicalista Gilmar Lacerda, ex-presidente do Sindicato dos Trabalha-
dores de Pesquisa Agropecuária. ?Os atuais diretores da Embrapa são motoristas de Fusquinha dirigindo uma Ferrari?, acusa Carlos Magno, ex-diretor da Embrapa Cerrados. Outro exemplo vem do Porto de Vitória. Lá, o superintendente e os dois diretores, todos indicados pelo PT, não se entendem. Com isso, os investimentos no porto, fundamentais para a entrada de navios de grande calado, estão parados. Um custo alto apenas para agradar os companheiros.