Economia

ROTAS ALTERNATIVAS


As exportações brasileiras sempre tiveram uma dependência atávica do mercado dos Estados Unidos. O surgimento do Mercosul, dez anos atrás, criou outro ponto de referência. Mas agora o Brasil está, com maior ênfase, correndo atrás de novos mundos para incrementar a sua balança comercial. As rotas alternativas do comércio brasileiro explicam, ao menos em parte, um fenômeno positivo para economia do País: o surgimento de novos exportadores, de pequenos a grandes fabricantes, fornecedores de peças, produtores rurais e quetais, que vêm experimentando gordos dividendos dessa nova rota para venda de suas mercadorias. No caminho da Ásia, ao melhor estilo Marco Polo dos tempos modernos, os exportadores brasileiros conseguiram alavancar suas vendas para US$ 11,67 bilhões no ano passado. O crescimento, na ponta do lápis, é de 32,8 % em relação a 2002. Trata-se de um feito impressionante, mesmo quando comparado às vendas totais de US$ 16,90 bilhões para os EUA. Na Oceania, o saldo comercial brasileiro deu um salto de 81,49% em janeiro. Neste mesmo mês, as exportações para o Caribe somaram US$ 65,8 milhões. Esse volume foi 108% maior do que vendas para a região em janeiro de 2002.

Com sede em Garça, no interior de São Paulo, a fabricante de motores para portões PPA é um caso típico de empresa média que acaba de aumentar seu faturamento graças aos novos mercados. Vendeu um cointainer inteiro de motores a África do Sul. Preço: US$ 76 mil. ?Nunca nem sonhamos em vender para a África?, diz o diretor-geral da PPA, Ivo Segnini Jr. Ele participou de uma missão comercial promovida pelo governo brasileiro ao país em agosto do ano passado e, ali, acertou as bases para o negócio. ?Já temos encomendas para mais oito containers de motores este ano?, completa.

As grandes tradings também abrem novas trilhas. ?Mercados tradicionais como Estados Unidos, Europa e Mercosul estão satu-
rados de subsídios, cotas e barreiras fitosanitárias?, avalia Clayton Miranda, vice-presidente executivo da maior trading brasileira de commodities, a Coimex. ?A saída passa pelas rotas alternativas?. Para o Irã, a companhia dobrou no último ano a venda de carne bovina, chegando a 80 mil toneladas. Para a Argélia e a Líbia foram outras
50 mil toneladas. Um contrato experimental para a China significou mais 10 mil toneladas. As perspectivas de negócios com os chineses são as melhores. Na semana passada, o governo brasileiro anunciou que passará a classificar o país como ?uma economia em transição?. Isso vai facilitar aprovações de créditos para exportadores. Há otimismo também em relação à Rússia. Em abril, o governo russo
deve aumentar as cotas para compras de carne brasileira. Apenas
a Coimex já tem previsão de vender este ano até 150 mil toneladas
de carne bovina à Rússia.

DINHEIRO alcançou no Egito, na quarta-feira 24, o presidente da Agência Brasileira de Promoção às Exportações (Apex), Juan Quirós. Ele chefiou a delegação de 13 empresas brasileiras na Feira do Cairo. ?Novos nichos são fundamentais?, afirmou. No ano passado, os exportadores brasileiros venderam US$ 130 milhões em carnes para o Iemen, US$ 25 milhões em trigo para o Marrocos e US$ 13 milhões em álcool para a Índia. Construíram, assim, o recorde de US$ 24,8 bilhões de saldo na balança comercial. Este ano, querem mais.