Economia

PITTA NA MIRA


As investigações das denúncias de desvio de dinheiro público para o exterior pelo ex-prefeito de São Paulo Celso Pitta ganharam novo fôlego na quinta-feira 25. Extratos bancários apresentados ao Ministério Público de São Paulo revelam que Pitta movimentou US$ 1,5 milhão nos Estados Unidos quando ainda era secretário das Finanças do prefeito Paulo Maluf, entre 1993 e 1996. Os documentos, apresentados pela ex-mulher de Pitta, Nicéia Camargo Pitta, estão em nome da ?offshore? Diderot, que aparentemente era usada para movimentar dinheiro do então secretário. Tanto Pitta como Maluf seguem dizendo que não têm nem tiveram contas bancárias no exterior. Mas a polícia e o Ministério Público têm poucas dúvidas de que os documentos encontrados na semana passada são evidência de que recursos desviados de obras públicas foram remetidos para fora do País. Sílvio Antônio Marques, um dos promotores de Justiça responsáveis pelo caso, disse a DINHEIRO na sexta-feira que os ministérios públicos estadual e federal estão ?fechando o cerco contra Pitta e Maluf?.

?Tão logo sejam traduzidos os documentos, ouvidas as testemunhas e interrogados os envolvidos, tomaremos as medidas cíveis e criminais cabíveis?, adianta Marques. Os promotores estão agora na fase de tradução juramentada da documentação apresentada por Nicéia Pitta, que deve se prolongar por duas semanas ? são ao todo 90 laudas em francês, inglês e alemão. Depois disso, os documentos serão analisados com auxílio de técnicos do Banco Central. Pitta e Maluf deverão ser ouvidos em abril. ?O avanço é importante, mas é prematuro falar em pedido de prisão?, avalia o procurador da República em São Paulo, Pedro Barbosa.

O Ministério Público está convencido de que Pitta e Maluf são responsáveis pelo superfaturamento na construção da Avenida Águas Espraiadas e pelo desvio de cerca de R$ 500 milhões ? inicialmente para os Estados Unidos, depois para a Suíça e, em seguida, para a ilha de Guernsey, um paraíso fiscal no Canal da Mancha. Os promotores têm em seu poder um termo de abertura de conta em Zurique assinado por Pitta e Nicéia. Mais: o aparelho de fax do gabinete do prefeito foi usado para enviar documentos para o banco. A participação de Maluf no esquema poderá ser investigada mais a fundo a partir da próxima terça-feira, quando começam a ser analisados oito quilos de extratos bancários de contas na Suíça em nome das empresas Blue Diamond e Red Ruby, supostamente vinculadas ao também ex-prefeito. Para o promotor Sílvio Marques, que diz estar sendo chamado de ?mentiroso? por Maluf desde 2001, o envio dos papéis ao Brasil pela justiça suíça é, por si só, um indício de irregularidade. Segundo ele, ainda é possível repatriar o dinheiro remetido a paraísos fiscais.