Economia

FÉRIAS PARA DIRCEU


Extrapolou. José Dirceu, ministro-chefe da Casa Civil, homem escolhido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para ser o gestor dos grandes projetos do governo, atingiu na semana passada o nível de tensão máxima. Pressionado pelos desdobramentos do caso Waldomiro Diniz, o ministro lançou gasolina no fogo da crise que paralisa a administração federal com ataques verbais gratuitos contra vários alvos. Entre os atingidos, governadores e senadores do PSDB, jornalistas e até mesmo o Ministério Público. As primeiras vítimas, na segunda-feira 22, foram repórteres, chamados de ?mal-educados? e ?maus caracteres? ao assediá-lo para entrevista. No dia seguinte, a metralhadora continuou disparando. Promotores e procuradores foram acusados de promover ?violências legais?. Já Aécio Neves, governador de Minas Gerais, e Geraldo Alckmin, de São Paulo, foram condenados por adotarem comportamento ?equilibrado?. Segundo Dirceu, fazem-no apenas porque ?governador, hoje, sem o governo federal não aguenta um mês?. Outro opositor moderado, o senador Tasso Jereissati foi classificado como ?fraco? por apoiar uma CPI do caso Waldomiro. Na semana anterior, Tasso havia subido à tribuna do Senado para defender a política econômica do ministro da Fazenda, Antonio Palocci. E até por isso foi criticado. Segundo Dirceu, o tucano teria tentado ?desestabilizar o governo? ao insinuar que o governo do PT mantém relações com o crime organizado.

Por conta do destempero, o ministro foi severamente repreendido por Lula. O presidente exigiu que seu amigo e braço direito se retratasse. Dirceu acatou ? em parte. Desculpou-se, mas só com os governado-
res. De Tasso, ouviu um diagnóstico e um conselho. Para o senador, Dirceu aparenta ?confusão mental? e o tratamento indicado, em casos como o dele, seria um período de férias, longe do poder. Waldomiro Diniz foi uma casca de banana lançada no caminho de Diniz. O ministro escorregou na história do assessor flagrado negociando propina com um banqueiro do bicho. Teve chances de levantar-se, mas voltou a escorregar, ora empurrado nas batalhas políticas, ora tropeçando, como na semana passada, em suas próprias palavras.