Economia

TROPA EM RETIRADA

Enquanto o País vasculha em si mesmo soluções para a crise da segurança pública, o Ministério da Defesa e o comando do Exército estão prestes a executar uma manobra polêmica. Nos próximos dias, terá início um processo de demissão de dois mil soldados e cabos, a tempo de evitar que esse contingente atinja dez anos de serviços prestados à farda e, assim, alcance o direito à estabilidade. Em razão dessa medida, o ministro Geraldo Quintão e o general Gleuber Vieira vivem uma situação semelhante ao drama que capitães da indústria sofrem quando, por motivação econômica, têm de cortar empregados. A diferença é que, em lugar de colocar metalúrgicos ou comerciários de volta às ruas, eles estão dispensando homens treinados para a guerra. Em sua maioria, os futuros desempregados da praça, ingressos na corporação entre 1993 e 1994, com média de 26 anos de idade, fazem parte de pelotões de elite do Exército. São brigadas de pára-quedistas, esquadrões de bombas e guarnições especializadas em tiro, camuflagem, mergulho e abordagem direta ao inimigo. Integram, reconhecidamente, o melhor que o Exército consegue produzir em suas fileiras de base.

?Estão sendo devolvidos à sociedade homens treinados para lutar, emboscar e matar. Como eles irão reagir quando se virem desempregados e sem treinamento para se adaptar ao mercado de trabalho civil??, pergunta o tenente da reserva Carlos Franco, coordenador do grupo de familiares dos soldados e cabos que pressiona o comando a voltar atrás em sua decisão. ?Muitos poderão tomar o caminho da criminalidade?, afirma. Até agora o Exército não fez qualquer articulação para tentar o reaproveitamento dos dispensados nas forças estaduais de segurança. Depois de nove anos de treinamento, os dois mil soldados sequer terão vantagens para ingressar nas polícias militares. O que se ouve no comando do Exército a esse respeito é que muitos ex-militares já tentaram esse caminho e foram derrubados nos testes psicotécnicos. Saem da tropa muito agressivos e têm dificuldades de se adaptar à realidade da polícia urbana. Ainda assim, trata-se de homens disciplinados, potencialmente retreináveis, cuja perícia no manejo de armas e no convívio com o perigo poderia ser útil no combate à violenta criminalidade das metrópoles brasileiras.

Uma manifestação de mulheres e filhos de soldados e cabos está prevista para Brasília na próxima semana, quando outra porta-voz do grupo, a deputada Laura Carneiro (PL-RJ), deverá ser recebida pela segunda vez este ano no gabinete do Ministério da Defesa. ?É muita insensibilidade não reaproveitar esses militares em outras tarefas de segurança pública?, diz a deputada. Quintão ouviu os argumentos mas não está inclinado a ceder. ?Não há preocupação no Ministério da Defesa com essas dispensas, pelo fato de esses cabos e soldados saírem bem preparados do Exército?, manifestou Quintão a DINHEIRO, por escrito. Ele recolheu peças de legislação dos últimos 30 anos para provar que a exclusão dos soldados e cabos é praticamente obrigatória. Há, porém, na lei, brechas para que os soldados permaneçam na ativa. A turma de 1992, por exemplo, foi beneficiada por uma portaria que lhe garantiu estabilidade. Mas aí entra a palavra do general Gleuber. ?A permanência de cabos e soldados estabilizados compromete a obtenção de adequado adestramento?, escreveu o general em seus arrazoados ao ministro. Sua maior preocupação: com a estabilidade, a tropa envelhece e deixa de ter condições de cumprir as tarefas mais pesadas. ?A estabilidade implica outorga de direitos que acarretam encargos e despesas para a União?, acrescenta Gleuber. Em média, os homens a serem dispensados receberão até nove soldos a título de indenização. Atualmente, um pára-quedista na Amazônia chega a receber perto de R$ 3 mil mensais. Em tempo: todos eles foram informados, ao entrarem no Exército, que assumiriam um emprego temporário.

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