Economia

ELEIÇÕES NA HP

Grandes potências do mundo corporativo, não raro, costumam ter mais peso para a economia mundial do que boa parte dos países. Suas cifras bilionárias equivalem a PIBs de nações de porte médio e seus laços internacionais provocam inveja a governantes de vários pontos do globo. Tamanho é o poder das megacompanhias que até suas disputas internas podem ganhar proporções dignas de campanha eleitoral para a Presidência de uma República como, digamos, o Brasil. O exemplo maior de que a analogia não é forçada está em curso, neste exato momento, em uma das maiores empresas americanas, a HP, com faturamento anual de US$ 45 bilhões (duas vezes o PIB do Uruguai). Marqueteiros, publicitários e verbas de tirar o fôlego estão mobilizados em torno de um plebiscito que decidirá, na segunda quinzena de março, se a presidente Carly Fiorina pode levar adiante o plano de fusão com outra gigante do setor de computadores, a Compaq, anunciado com estardalhaço no final do ano passado. Na oposição ao projeto está Walter Hewlett, filho de William Hewlett, fundador da HP ao lado de David Packard. As turmas do sim e do não disputam publicamente os votos de um respeitável colégio eleitoral, formado por cerca de 1 milhão de acionistas, alvos de anúncios página inteira em grandes jornais como o The New York Times e o The Wall Street Journal, sites na internet e propaganda maciça dirigida diretamente a seus endereços. A HP não revela quanto está gastando em sua campanha. Não deve, no entanto, sair mais barata que a de Hewlett, estimada por seus próprios assessores em US$ 32 milhões.

?Trata-se de trocados quando comparados aos bilhões que a empresa pode perder se a fusão for aprovada?, afirmou a DINHEIRO Todd Glass, executivo da Joele Frank, Wilkinson Brimmer Katcher, firma nova-iorquina de relações públicas contratada por Hewlett e seus correligionários para vender suas propostas ao público. Glass repete o bordão do cliente, que nos anúncios e no extenso material enviado a cada acionista insiste que a fusão seria ?um erro de US$ 25 bilhões?. Tímido e pouco afeito a discursos, Hewlett tem precisado mesmo de ajuda para superar a charmosa e convincente Fiorina, habituada às reuniões com grandes investidores. São estes os fiéis da balança no pleito e ambos sabem disso. Um e outro gastaram as últimas semanas cruzando os EUA no corpo a corpo com os tubarões dos fundos e os analistas com poder para influenciar milhares de votos com um único relatório. Hewlett (que representa também as fundações da família Packard, somando 18% do capital da HP) tem em seu foco 50 eleitores de peso, a quem pretende convencer que a HP deve se concentrar nas áreas em que é líder e que são mais lucrativas, como as de imagem e impressoras. Fiorina já visitou pelo menos 20 e mostrou a eles por que acredita que, comprando a Compaq, a empresa terá um portfólio mais balanceado e sólido. Os outros centenas de milhares são trabalho para as equipes de campanha.

A campanha segue até o dia 19 de março, quando acontece uma assembléia extraordinária de acionistas da HP. Um dos maiores centros de convenção da Califórnia, o Flint Center, em Cupertino, certamente estará superlotado. Só poderão entrar os acionistas devidamente registrados na SEC (a CVM americana) até 28 de janeiro. Lá serão conhecidos os votos derradeiros, pois, na prática, a eleição está em curso. Desde a semana passada os eleitores estão recebendo pelo correio os vastos relatórios de campanha com as razões de cada parte. Juntamente com os calhamaços, seguem dois cartões de votação, que já podem ser remetidos de volta. Cabe ao eleitor decidir qual enviará para as duas empresas especializadas em pleitos corporativos contratadas para coletar as cédulas ? uma terceira companhia fará a apuração. O cartão branco abre caminho para o negócio e consolida a carreira da superexecutiva Fiorina. O verde entrega o poder a Hewlett e barra a fusão. As urnas definirão o futuro da HP.

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