Economia

COM ESSE EUROPEU SE FAZ NEGÓCIO

O gigante europeu voltou a olhar para o Brasil. Depois de passar ao largo do processo de privatização e de perder o posto de maior investidor europeu no País, a Alemanha se prepara para despejar milhões de euros na economia brasileira ? pelo menos é o que garantiu o premiê alemão, Gerhard Schröder, em sua segunda visita oficial ao Brasil na semana que passou. ?Vamos voltar a fincar nossos pés aqui?, repetiu várias vezes nos eventos públicos que participou em São Paulo e Brasília.

A mesma promessa o desenvolto Schröder fez ao presidente Fernando Henrique durante uma conversa no Palácio do Planalto, na quinta-feira 14. Ali, os dois dispensaram as formalidades e trataram-se mutuamente por ?você? ? du, na língua do visitante. Falaram de política externa em inglês e FHC arriscou passagens em alemão.

Charme à parte, o que se viu foi um Schröder firme e franco. As promessas do chanceler de 57 anos, um dos expoentes da social-democracia mundial, foram avalizados por 28 megaempresários que o acompanharam nos dois dias da viagem. E os antecedentes sugerem que não são promessas vazias. Ao contrário de outras entourages européias ? como a do premiê inglês Tony Blair e do francês Lionel Jospin ?, os alemães não vêm a turismo, mas a negócios. Os planos da nova onda germânica incluem desde a expansão das subsidiárias já estabelecidas até lances ousados nas futuras privatizações. ?As chances são excelentes sobretudo na privatização de serviços estatais?, aposta Werner Muller, ministro da Economia alemã.

Em alguns setores, a movimentação já começou. A RWE, uma das maiores empresas do setor energético do mundo, armazena munição para entrar na disputa pela Copel, a estatal de energia do Paraná. Já a Steag cobiça erguer no Rio Grande do Sul uma termelétrica movida a carvão, enquanto a Siemens aumenta a produção de equipamentos de energia solar. ?No passado, os empresários tinham medo porque o Brasil era um ioiô de crises, mas isso mudou?, garante Michael Rogowiski, presidente da Federação da Indústria Alemã.

O primeiro a se dar conta da voracidade empreendedora alemã foi o ex-presidente Juscelino Kubitschek. Numa visita oficial àquele País, nos anos 50, conseguiu trazer para o Brasil a Volkswagen. Os investimentos não pararam mais e hoje são mais de 800 empresas de capital alemão só em São Paulo. Não existe nenhum lugar no mundo onde se concentram tantas empresas alemãs.

Um sorridente Schröder prometeu ainda mais ao presidente FHC. Previu uma invasão de pequenas e médias empresas, apoio para um assento permanente no Conselho de Segurança da ONU e apoio para a abertura do mercado europeu aos produtos agrícolas brasileiros. Mas junto com as promessas veio a fatura: os alemães querem a ratificação pelo Brasil do polêmico acordo de proteção a investimentos estrangeiros, parado no Congresso desde 1995. O presidente FHC prometeu trabalhar por isso. Os alemães também não perderam a chance de reclamar a reforma tributária. Questionado por um empresário sobre quando ela sairia do papel, FHC respondeu: ?O futuro a Deus pertence.? Ao que o alemão, retrucou. ?Mas Deus é brasileiro, não é sr. presidente?? Riso geral.

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