Economia

ACORDÃO EMPRESARIAL NO PT

A prática da barganha eleitoral e a distorção nas relações entre empresários e políticos acabam de ganhar uma peça antológica. Assinado pelo atual presidente do PT do Mato Grosso do Sul, Vander Loubet, e testemunhado por representantes do Grupo-100, que aglutina informalmente empresários da capital Campo Grande, trata-se de um ?termo de compromisso? emblemático do melhor estilo toma-lá-dá-cá da política brasileira. Na reta final da eleição para o governo do Estado, em 20 de outubro de 1998, o petista Loubet firmou um texto manuscrito pelo qual, na condição de coordenador da campanha Muda MS, do então candidato a governador Zeca do PT, se comprometia, em caso de vitória nas eleições, a lotear a futura administração. ?Quando da confirmação da eleição do candidato Zeca?, segundo os termos do cabeçalho do documento, Loubet faria o serviço de ?articular junto à bancada petista? os votos que permitiriam aos empresários do G-100 indicar o presidente da Assembléia Legislativa. Se esse esforço falhasse, o grupo ganharia uma vaga no secretariado de Zeca. No terceiro e último item do juramento, o coordenador da campanha petista aceita atuar pela cessão de nada menos que 53 cargos DAS (Divisão de Assessoramento Superior) a nomes indicados pelos empresários. Com remunerações que variavam entre R$ 2,5 mil e R$ 1,3 mil, o cumprimento do acordo custaria aos cofres públicos R$ 100,4 mil mensalmente.

?Devo confessar que assinei o documento?, disse Loubet a DINHEIRO. ?Mas acho que não deveria ter assinado. Naquele momento, não atinei para a dimensão do fato?, completou. Ele acredita, porém, que não sofrerá punições na esfera do partido que, acima dos demais, empunha a bandeira da ética. ?Não acredito que vá ter problemas, até porque nunca levei esse assunto ao governador Zeca?. O secretário de Comunicação do governo do Estado, Bosco Martins, tentou defender o dirigente partidário lembrando que o acordo nunca chegou a ser cumprido. ?Nenhum dos seus termos foi efetivado?, assegurou. Na quinta-feira 14, o governador Zeca chamou Loubet para discutir o assunto. No início da noite, depois do encontro, o presidente petista se mostrava tranqüilo. ?Desenterram um assunto de quatro anos atrás para tumultuar a campanha de reeleição?, comparou. ?Faz parte do jogo sujo contra nós.?

A suspeita em Campo Grande é a de que, em troca da assinatura de Loubet debaixo das promessas de cessão de cargos, haveria uma contrapartida em dinheiro e apoio logístico ao então candidato petista por parte do G-100, composto por empresários e comerciantes da cidade. Signatário do documento, na condição de testemunha, o comerciante Aristides dos Santos Caldas, dono de uma revendedora de veículos em Campos Grande, sustenta que o grupo do qual faz parte passou a trabalhar pela candidatura de Zeca depois do acordo fechado com o coordenador da campanha. ?Nós fomos traídos pelo Vander?, reclama Caldas. ?Ele nos procurou, acertamos a proposta e passamos a colocar nosso pessoal para trabalhar para o Zeca. Mas fomos passados para trás. Nada daquilo foi cumprido.? O vereador petista Alex Azevedo também assinou o termo de compromisso. Hoje, diz que não se lembra. ?Será que eu assinei??, questiona. ?Mas, no fundo, qual o problema desse tipo de acordo?? .

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