Economia

A conta da energia Estatal

Está saindo a conta da política estatal para o setor energético. Numa só canetada, desferida na quinta-feira, 31, o governo autorizou aumentos de 18% e 24% nas tarifas das geradoras de energia Copel e Gerasul. Ambas respondem pelo suprimento dos Estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Mato Grosso do Sul. O efeito dominó vai continuar. ?É líquido e certo o encarecimento da energia?, disse a DINHEIRO o diretor de Infra-estrutura da Fiesp, Pio Gavazzi, horas antes da má notícia governista. Na semana passada, estudos coordenados pelo empresário deram suporte técnico a uma dramática mensagem do presidente da entidade, Horacio Lafer Piva, a sete mil associados. O texto ?Energia elétrica: mensagem de alerta à indústria paulista?, com apelos de economia no consumo e incentivo à co-geração, não foi o único alarme a soar. Em Ribeirão Preto, 250 empresários e técnicos em energia se reuniram por três dias para jogar luzes sobre o futuro. Concluíram que no momento em que o PIB nacional cresce à razão de 4% ano, o aumento na demanda de energia é de 5%. Serão necessários investimentos de R$ 8 bilhões a R$ 10 bilhões, sem os quais não se conseguirá elevar em 4 mil megawatts a produção energética em 2001. Mais grave: ao lado do aumento nos preços das contas, o blecaute é um risco cada vez mais próximo.

Sem condições de anunciar a alocação do dinheiro, o ministro das Minas e Energia, Rodolpho Tourinho, saiu a campo para comunicar a importação de 2 mil megawatts de energia hidrelétrica da Argentina e um plano emergencial de início de construção de 12 usinas termelétricas em 2001. Um improviso caro. ?A instalação de um megawatt/hora de energia hidrelétrica custa entre US$ 20 e US$ 25, contra US$ 38 a US$ 45 de custo nas termelétricas?, calcula o empresário Gavazzi. Os ramos metalúrgico, têxtil e siderúrgico, eletrointensivos, sofrerão mais com os aumentos que já despontam. Neles, o valor da energia chega a 35% da planilha de custos. O racionamento branco, em que indústrias são ?convidadas? de última hora a reter atividade nos horários de pico, vai prevalecer.

Esta cena obscura é nítida da amarração política que prende o setor. Enquanto Furnas, presidida pelo ex-deputado Luís Carlos Santos, está na área de influência do ex-presidente Itamar Franco, que também controla a Cemig, a Chesf, no Nordeste, faz parte do quinhão do vice-presidente Marco Maciel. Ele indicou o atual diretor-presidente Mozart Siqueira de Campos. Na Eletronorte, quem manda é o ex-presidente José Sarney, padrinho do presidente José Antônio Muniz Lopes. Ex-único mandatário do setor, o senador Antônio Carlos Magalhães banca Firmino Sampaio, presidente da Eletrobrás e da Eletronuclear. Além, é claro, de Tourinho. Nessa barca, a remada é desencontrada. Uns querem a privatização pelo modelo da venda pulverizada de ações, outros, em bloco. O cronograma de privatizações foi empurrado para o ano que vem. Ficamos com a energia estatal, pouca e cara.

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