Economia

1% dos brasileiros têm 15% do País

A concentração de renda brasileira está evidenciada em números oficiais. Na semana passada, uma pesquisa da Receita Federal constatou que 1% dos brasileiros detêm 15% da renda patrimonial do País. Pelo menos da renda declarada. O levantamento, realizado por Luiz Carlos Rocha, da Receita, ilustrou também a contrapartida da vida nababesca ? 64% dos brasileiros que declaram imposto de renda vivem com até R$ 1.500 por mês, 58% dos declarantes em Tocantins ganham menos de R$ 1 mil por mês. E, se isso parece ruim, é bom ter em mente que 60 milhões de brasileiros não ganham o suficiente para pagar impostos. São os isentos, a grande massa que não tem nem ganha o suficiente para preocupar-se com o Leão. ?Agora, estamos preparando uma pesquisa sobre os isentos para traçar um painel desses brasileiros?, diz Rocha. A pesquisa da Receita existe desde 1997 e tem se baseado nas declarações de renda de pessoas físicas, que este ano foram 11 milhões. Fora desse muro de relativíssimo privilégio, o mundo é um mistério.

As estatísticas captadas nos computadores de Brasília mostram que a desigualdade brasileira se espraia em várias direções. Os números confirmam que o valor médio do patrimônio da região Sudeste é de R$ 100 mil, enquanto no Norte a média é de R$ 39 mil. Outro dado que emerge do levantamento é o vigor da região Centro-Oeste. Os maiores contribuintes do País, estranhamente, estão aí. O valor médio da contribuição do Centro-Oeste é de R$ 3,9 mil, superior aos R$ 3,4 mil recolhidos pelos contribuintes do Sudeste. Se de um lado evidencia o crescimento do Centro do País, essa estatística lança a suspeita de que a sonegação no Sudeste é ainda maior do que o senso comum faria suspeitar.

Em um Brasil tão desigual, com juros altos, quem mais concentra renda são as pessoas que vivem dela e não dos rendimentos do trabalho. A média patrimonial das pessoas que vivem de investimentos ou aluguéis de imóveis é de R$ 400 mil, muito maior que a média geral de R$ 89 mil. Para surpresa dos organizadores da pesquisa, descobriu-se que a maioria dos rentistas (53%) são mulheres. Isso significa que essa minoria de superproprietários, que nas grandes cidades como o Rio mora em edifícios de luxo, é dona da maioria das terras e dos imóveis de pobres que cercam seus bairros. Assim como detém, também, boa parte do dinheiro que a sociedade movimenta diariamente. A ocupação que concentra o maior patrimônio, de R$ 360 bilhões, vem de pessoas que têm empresas. Em seguida, vêm os aposentados, com R$ 158 bilhões, que, em sua maioria, mora no Rio de Janeiro.

Quem são? O levantamento da Receita, além de mostrar o velho Brasil desigual, também conta um pouco sobre a vida dos brasileiros que pagam imposto de renda. Dele emerge, por exemplo, que as famílias da Região Norte são aquelas com maior número de filhos, que os nordestinos gastam mais com a instrução escolar e que, quem mora no Sudeste, investe mais em saúde e pensões judiciais. Os homens, pelo estudo, são a maioria dos contribuintes: 63%, contra 37% das mulheres. A maioria dos homens (85%) são engenheiros, físicos ou químicos e a maior parte das mulheres são professoras. Essa é a legião dos brasileiros que todos os meses contribuem e no início de cada ano preenchem suas declarações. Os outros, ricos ou pobres, que não preenchem declarações, moram em outro universo. Nesse Brasil paralelo dos que não têm ou não declaram renda convivem tanto a favela da Rocinha quanto a Barra da Tijuca. São opostos de uma mesma situação que o governo desconhece.

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