Economia

Queda de braço pela Nafta

Uma conta de multiplicar iniciada com US$ 15,50 está na raiz da mais nova crise entre o setor petroquímico e a Petrobras. Este é o valor que a estatal julga adequado acrescentar, no momento da venda às três centrais petroquímicas brasileiras, aos US$ 260 por tonelada de nafta que costuma pagar nos portos do chamado circuito ARA (Amsterdã-Roterdã-Antuérpia), onde o líquido é oferecido. Acrescida de despesas de internação, a principal matéria-prima das centrais está sendo vendida nas últimas semanas a US$ 294 por tonelada.

Para uma central como a Copene, de Camaçari, na Bahia, a diferença de valores representa um aumento de custo anual de cerca de US$ 60 milhões. ?Exportamos US$ 200 milhões no primeiro semestre?, diz João Carlos Feijó, vice-presidente da OPP Petroquímica. ?Com este preço para a nafta, não conseguiremos exportar mais nada.?

Até o final de junho a Petrobras detinha o monopólio da venda da nafta, mas nem mesmo as recentes liberações pela Agência Nacional do Petróleo (ANP) para a importação do produto acalmaram o setor. ?O monopólio de fato continua?, resumiu Jean Peters, diretor da Union Carbide e presidente do Sindicato das Indústria de Resinas Plásticas de São Paulo, referindo-se ao fato de a Petrobras ser dona de todos os dutos capazes de conduzir a nafta no País. A procuradora-geral da ANP, Sônia Argel, diz que se a discussão prosseguir o órgão pode arbitrar o preço. ?A divergência é normal, mas se houver pedido das centrais podemos interferir?, assinala. Anormal, alegam executivos do setor, é a Petrobras adotar três preços diferentes para a mesma nafta: no Brasil, mais caro que o mercado internacional; na Argentina, para o pólo de Baia Blanca, igual à referência ARA; e 7,5% mais barato que o preço internacional, segundo informações que circulam no setor, para o pólo que vai sendo planejado para o Rio de Janeiro. A assessoria de comunicação da Petrobras informou que a empresa não comenta o assunto por enquanto.