Dinheiro em Ação

JBS cobiça a Sara Lee

O frigorífico brasileiro JBS voltou a negociar a compra da empresa americana Sara Lee 


Depois de várias tratativas e de a negociação ter emperrado no início do ano devido à discordância sobre os valores, o JBS de Joesley Mendonça Batista pode fazer uma oferta pela empresa americana. Nenhuma das envolvidas comenta o assunto, mas fontes próximas informaram que há dois caminhos possíveis. Em um deles, o frigorífico brasileiro poderia assumir as atividades de carnes e bebidas da Sara Lee. Em outro, o JBS compraria todas as operações de alimentos da empresa.

 

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Joesley Batista: em busca de diversificação

 

A  capitalização de ambas é comparável, cerca de R$ 17 bilhões. A Sara Lee está presente em mais de 20 países. No Brasil, sua principal atuação é no setor cafeeiro e ela possui as marcas Café do Ponto, Café Pilão, Caboclo e Seleto. Na divulgação da notícia, as ações da Sara Lee subiram 3,6% nos Estados Unidos e os papéis da JBS caíram 1,3% na segunda-feira 20. Os analistas veem o negócio com reservas. “O mercado está preocupado com as condições de uma possível aquisição”, diz Cauê Pinheiro, da corretora SLW. “O que pode dificultar um eventual acordo de compra é a grande necessidade de financiamento para a operação”, afirmou a corretora Planner em relatório. 

 

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Destaque no pregão


Suzano empresta R$ 2,7 bilhões do BNDES

 

A Suzano Papel e Celulose obteve um financiamento de R$ 2,7 bilhões no BNDES para construir uma nova unidade industrial em Imperatriz (MA). Além da fábrica, o dinheiro será investido na infraestrutura e nos equipamentos para a operação, na construção de planta de cogeração de energia de biomassa e em capital de giro. Entre as condições exigidas pelo BNDES para a liberação do aporte está uma emissão privada de debêntures de R$ 1,2 bilhão. Os títulos terão vencimento de 60 anos e remuneração atrelada ao IPCA mais 4,5%. 

 

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Palavra de analista

 

A entrada do BNDES é importante para a Suzano, na opinião de Pedro Galdi, analista-chefe da SLW corretora. “A instituição vai ser um sócio investidor. A companhia vai continuar com uma boa estrutura de capital e ainda vai entrar dinheiro”, afirma. Apesar da redução do preço da celulose desde o meio do ano, Galdi acredita que as ações do setor são uma boa opção. Para a Suzano, ele tem recomendação de compra e um preço-alvo de R$ 21,71 para dezembro de 2011. 

 

 

Bebidas


Ambev fará desdobramento de ações

 

A Ambev aprovou no dia 17 o desdobramento de suas ações preferenciais e ordinárias na proporção de cinco papéis novos para cada um existente. O valor do capital social da companhia continua o mesmo, mas agora será composto por 3,1 bilhões de ações, sendo 1,7 bilhão ordinárias e 1,4 bilhão preferenciais. Os American Depositary Receipts (ADRs) também serão desdobrados e cada um dos cinco certificados continuará representando uma ação. No dia do anúncio, os papéis preferenciais da AmBev subiram 0,8%, para R$ 244,98. Em 2010, as ações acumulam alta de 46,3% e em um ano, de 50,7%.

 

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Maiores altas da semana

 

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Maiores baixas da semana

 

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As 10 mais negociadas do Ibo­ves­pa

 

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Desempenho das empresas por setor de atividade econômica

 

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Termômetro do mercado

 

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Bolsa no mundo

 

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Educação financeira

 

Ao diversificar suas atividades, uma empresa procura reduzir o risco de seus resultados. A lógica econômica dessa decisão é que atividades diferentes têm ciclos distintos e, quando alguns dos negócios de uma corporação vão mal, essa queda nos números é compensada pelas outras atividades que são rentáveis. Mesmo reduzindo o risco, a diversificação tem o problema de, em geral, reduzir a rentabilidade média de uma empresa. 

 

 

Quem vem lá


Direcional capta R$ 450 milhões

 

A incorporadora mineira Direcional Engenharia pretende levantar R$ 450 milhões em uma oferta de ações. A intenção da companhia presidida por Ricardo Valadares Gontijo, e que abriu capital em novembro de 2009, é realizar uma oferta primária e secundária. Segundo a empresa, a captação visa acelerar seu crescimento, além de aumentar sua liquidez e expandir a base acionária. O preço por ação e a quantidade de papéis que serão lançados ainda não foram informados ao mercado.

 

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Fique de olho:  no terceiro trimestre de 2010, a Direcional teve lucro de R$ 118 milhões, alta de 97,3% sobre o mesmo período do ano anterior. A Direcional estima que aproximadamente 80% do total levantado será resultante da distribuição primária de ações.

 

 

Touro x urso

 

O ano está terminando e, até as vésperas do Natal, o jogo na Bovespa parecia estar no zero a zero. Tanto em reais quanto em dólares (ver tabela Bolsa no Mundo, abaixo), 2010 foi um ano sem ganhos para o investidor que começou a comprar ações na virada de 2009. A ausência de grandes surpresas nas estatísticas econômicas nestes últimos dias de negociação tende a manter o principal indicador do mercado acionário  sem uma direção definida. O ano de 2011, no entanto, pode começar mais animado, já que os grandes investidores institucionais deverão aproveitar a mudança no calendário gregoriano para rever aplicações globais. O Brasil em início de um novo governo, segue crescendo pelo menos 5%, o que deve favorecer muitas empresas na Bolsa.  

 

 

Shopping centers


Crescimento sustentável

 

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Veronezi: meta é atrair investidores internacionais

 

Dona do Prime Outlet, em Campinas, no interior de São Paulo, a General Shopping pretende construir outro shopping de desconto em 2011. Alessandro Veronezi, diretor de relações com investidores da companhia, faz segredo sobre a localização do novo empreendimento. Apesar da reserva, ele não esconde a estratégia para aumentar a liquidez das ações da companhia e atrair mais investidores, especialmente internacionais:

 

DINHEIRO – Quais são os planos para o ano que vem?


VERONEZI – Além dos novos shoppings Barueri, em São Paulo, e Sulacap, no Rio de Janeiro, pretendemos desenvolver mais um shopping de desconto no fim de 2011.  A companhia tem mais quatro expansões previstas para 2011. Elas vão ocorrer nas cidades paulistas de Campinas, Presidente Prudente e Osasco e em Cascavel, no Paraná.

 

 

DINHEIRO – Por que outro outlet?


VERONEZI – Somos a única companhia que tem um modelo de outlets bem-sucedido no Brasil. Esses projetos são atrativos, mas eles têm de ser feitos de maneira cuidadosa. Não são todas as cidades que comportam esse tipo de shopping. A General Shopping cobra os lojistas com desconto, mas o shopping tem que ser rentável. Um outlet tem de ter lojas baratas, caso contrário o comerciante não consegue vender mais barato. Isso passa pelo processo de desenvolvimento e construção.

 

 

DINHEIRO – Como o sr. avalia a alta de 39,8% das ações em 2010?


VERONEZI – A alta de 2010 reflete uma recuperação do valor que havia sido perdido durante a crise de 2008. A ação sofreu pela baixa liquidez e por isso caiu mais fortemente. 

 

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DINHEIRO – Como mudar isso?


VERONEZI – No quarto trimestre contratamos um novo formador de mercado, a XP Corretora, para melhorar a liquidez da ação. Isso hoje já pode ser notado. Durante todo o terceiro trimestre, o volume de negócios somou R$ 59 milhões. No bimestre de outubro e novembro, o volume foi de R$ 63 milhões. 

 

 

DINHEIRO –  Como a companhia tem atraído investidores?


VERONEZI – Tenho visitado acionistas internacionais. O setor de shopping centers tem uma abordagem imobiliária, mas também tem uma visão do varejo. Nossos shoppings estão voltados para a classe média, o que atrai o investidor estrangeiro. Eles têm muito interesse em acompanhar a história, a estratégia e os fatos relevantes da companhia.

 

 

Pelo mundo

 

Oracle lucra mais 28% – O lucro da americana Oracle, do bilionário Larry Ellison, atingiu US$ 1,9 bilhão entre setembro e novembro, alta de 28% ante 2009. Já a receita líquida da companhia aumentou 47%, para US$ 8,6 bilhões. As receitas de novos softwares, considerados um dos principais termômetros do crescimento da Oracle, aumentaram 21%. 

 

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Fusões crescem  19% – As fusões e aquisições entre empresas totalizam US$ 2,25 trilhões em 2010, aumento de 19% em relação a 2009. Segundo dados preliminares da Thomson Reuters, o quarto trimestre registrou uma queda de 17% no valor dos negócios, que totalizaram US$ 529 bilhões. A maior parte das operações (34%) aconteceu com empresas dos Estados Unidos.

 

Chevron no golfo - A petrolífera americana Chevron anunciou na quinta-feira 16 um investimento de US$ 4 bilhões no projeto Big Foot, em águas profundas na parte americana do Golfo do México. Esta será a sexta operação na região e a estimativa é de que a jazida produza 75 mil barris por dia. A primeira extração de petróleo deve ocorrer em 2014. 

 

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Com Juliana Schincariol e Lilian Sobral