Dinheiro em Ação

Os melhores check-ups

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Para muitas pessoas, a vida de um executivo é cheia de glamour. Altos salários, reu-niões importantes, almoços e jantares de negócios, viagens internacionais e muitas decisões a serem tomadas. No entanto, na linguagem médica, todos esses pontos que colocam os empresários em uma rotina diferente da maioria da população podem ser traduzidos de outra forma: sedentarismo, hábitos alimentares ruins, vida desregrada, estresse e ansiedade. Essa combinação explosiva, aliada a períodos de turbulência na economia, pode levar muitos executivos ao consultório médico, na melhor das hipóteses.

 

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Soares, da Omint: “O estresse é um dos principais fatores agravantes (de doenças). E o executivo não tem como fugir”

 

Para evitar surpresas desagradáveis, a prevenção ainda é o melhor remédio. Por isso, check ups desenhados especificamente para o empresariado estão ganhando cada vez mais adeptos em hospitais, consultórios e laboratórios. Nos últimos meses, com a crise global, foi grande o aumento pela procura por uma revisão geral na saúde, sobretudo nos principais centros médicos, como os hospitais Albert Einstein, Sírio-Libanês e os laboratórios Fleury, em São Paulo. Muitas vezes, a iniciativa de zelar pelo bem-estar do corpo diretivo é da empresa, que periodicamente agenda os exames. Mas, se esse não é o seu caso, conheça os check-ups que ajudarão você a manter sua interessante vida de executivo por mais tempo. Em diversas empresas existe a cultura do excesso de horas de trabalho e sair do escritório mais cedo é sinal de improdutividade.

Os resultados disso podem ser catastróficos. Segundo uma pesquisa feita pela Omint, operadora de planos de saúde voltados para a alta renda, 96,04% dos executivos não conseguem manter a alimentação equilibrada, 43,18% são sedentários, 31,94% apresentam níveis elevados de estresse e 13,15% são fumantes. Muitas vezes, todas essas características estão presentes em uma pessoa só. Além disso, o levantamento apurou que 10,39% dos executivos possuem um risco maior de desenvolver doenças cardiovasculares do que outros profissionais.

“O estresse é um dos principais fatores agravantes. E o executivo não tem como fugir. Está sob pressão no trabalho, tem contas a pagar, família para sustentar. Ele não se estressa porque quer”, constata Caio Soares, gerente médico da Omint e coordenador do estudo. Por isso, a seguradora estimula ao máximo a prevenção e envia anualmente para seus clientes um “voucher” check-up. Em 2008, 35% dos associados utilizaram o serviço. Em 2007, apenas 20%. São feitos exames de praxe, como sangue, urina, cardiovascular (no HCor), urológico e, dependendo da disposição dos pacientes, há consultas com nutricionistas, já que 25% dos executivos da pesquisa sofrem de excesso de peso.

Maurício Mendonça, 36 anos, foi um dos clientes que fizeram uso do voucher e decidiu mudar de vida. Sofria de obesidade e era vítima das tensões comuns da profissão. Em 2008, durante o check-up, decidiu seguir à risca os conselhos nutricionais, passou a praticar esportes e hoje corre provas de 25 quilômetros e luta kung fu. “Na empresa há um programa interno de prevenção de doenças. Virei exemplo para os outros executivos”, afirma Mendonça, que pesava 116 quilos e hoje está com 84.

 

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MENDONÇA, da Novell, fez um check-up e mudou radicalmente o cuidado com a saúde. Virou atleta. “Virei exemplo para os outros executivos”, diz

 

O executivo trabalha na multinacional Novell e fala com entusiasmo dos grupos de corrida e esportes formados pela empresa. “Quando participamos de provas, competimos entre funcionários e fazemos uma pontuação entre os que praticam corrida”, gaba-se o executivo. O prêmio? “Mais saúde”, diz Mendonça. “No trabalho há muita pressão e cobrança, mas nada que não se possa controlar com equilíbrio e prevenção”, completa. Tal preocupação não só garante mais qualidade de vida fora do trabalho como também um prolongamento da vida profissional.

“Quem não controlar hábitos de vida não saudáveis e fatores de risco hoje encurtará sua vida profissional e se transformará em custo elevado na folha de pagamento dos planos de saúde corporativos”, explica Soares. Nos laboratórios Fleury, onde um check up completo custa em torno de R$ 2 mil (leia quadro abaixo), os executivos possuem atendimento diferenciado. Internet e telefone na área de espera, um farto café da manhã, manobrista e a consulta de retorno feita por videoconferência são alguns dos mimos oferecidos.

“São clientes que não têm muito tempo disponível e são bastante exigentes, por isso acabam recebendo tratamento diferenciado”, afirma Débora Stiebler, gerente de produtos de gestão de saúde do Fleury. No laboratório, se o cliente já possui um histórico de doenças prévias, são incluídos exames em seu check-up, sem alteração do preço. “Nós customizamos os exames de acordo com a necessidade das pessoas e sem cobrar a mais por isso. Mas isso funciona apenas se o paciente estiver fazendo o check-up”, conta Débora. Entre os exames feitos estão os básicos: cardiovasculares, de sangue, urina e um ultrassom abdominal completo. Para mulheres estão inclusos todos os exames ginecológicos e para homens, os urológicos.

“Há também uma consulta com um clínico, que avalia se será preciso outros exames”, diz a gerente. No Hospital Israelita Albert Einstein, os check-ups estão inseridos num programa forte de prevenção de doenças. O mensurador que dimensiona o risco de morte por doenças cardiovasculares em um período de dez anos é o chamado Escore de Framingham. Ele atesta que a incidência de um risco mais alto desse tipo de enfermidade é de 14% entre os executivos.

Diante dessa informação alarmante, o hospital procura dar um apoio maior aos pacientes que fazem check-ups periódicos e lançou um programa de revisão continuada de saúde. “Nós fazemos o rastreamento da situação do paciente e propomos metas a serem alcançadas para a próxima revisão. Oferecemos também programas de atividades físicas, alimentação saudável e prevenção cardiovascular”, afirma Marcio Marega, fisioterapeuta e responsável pelo Projeto Antis-sedentarismo do Einstein. No hospital, são feitos cinco mil check-ups anualmente e 80% correspondem a executivos de empresas.

US$ 2 mil é quanto custa um check-up do Executive Health Exams International, nos EUA

Fazer um check-up fora do Brasil também é uma opção. O Cedar-Sinai, em Nova York, e o Mount Sinai, em Miami, possuem áreas específicas para exames de pacientes estrangeiros. Há também o Cleveland Clinic Hospital, em Cleveland, e o Jackson Memorial, em Miami, que são referências na realização de check-ups nos EUA. Já o Executive Health Exams International é uma empresa sediada em Nova York que promove a saúde preventiva de Wall Street e chega a cobrar mais de US$ 2 mil por um check-up.

Mas será mesmo que esse tipo de acompanhamento é necessário anualmente? A resposta dos especialistas é taxativa: “Exames de acompanhamento são essenciais e devem ser feitos periodicamente. No entanto, não se pode determinar a frequência, já que tudo depende do tipo de doença que o paciente apresente”, diz o médico Roberto Kalil Filho, diretor do Centro de Cardiologia do Hospital Sírio-Libanês. Segundo ele, o check-up é imprescindível, mas, mais ainda, é um acompanhamento clínico próximo e detalhado.

“Se não houver a presença constante de um médico, o check-up pode não ser tão eficaz na prevenção”, afirma. Apesar do custo, especialistas acreditam que a revisão geral deveria tornar-se um hábito comum na rotina dos brasileiros. Em 2008, no Fleury, os pedidos por check-up subiram 45% em relação a 2007, o que fez a empresa apressar a construção de duas novas unidades de exames. Na Omint, o aumento dos pedidos de consulta e dos exames gerados após as consultas foi de 20% e 25%, respectivamente. “Com a crise, as pessoas agendaram mais exames, devido ao medo de ficar sem emprego, pois na maioria dos casos os planos de saúde estão atrelados às empresas.

A alta não significa que os executivos ficaram mais doentes”, explica Débora Stiebler, do Fleury. Segundo a gerente, os planos de saúde já perceberam a predisposição dos clientes em buscar a prevenção e consideram a ideia de cobrir check-ups. “São pouquíssimos os que cobrem. Mas já há um interesse grande das seguradoras. É mais barato pagar check-ups do que diárias em UTIs e tratamentos caros”, afirma. A Omint cobre, mas a mensalidade corresponde à exclusividade. Um plano individual para pessoas de 39 a 42 anos, custa R$ 1.231 ao mês. Ao executivo cabe a escolha. E não é preciso ser especialista para detectar que a melhor delas é viver.

 

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