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É preciso transformar otimismo em empregos

A prioridade do governo deve ser a aprovação da reforma da Previdência, da minirreforma trabalhista e da desburocratização do ambiente de negócios

É preciso transformar otimismo em empregos

Não é difícil de compreender por que as pessoas demoram a enxergar um horizonte azul em meio a uma forte tempestade. A crise econômica no Brasil é muito grave – a mais intensa queda de PIB num biênio –, ceifou empregos em incontáveis empresas e rebaixou milhões de pessoas na pirâmide social. Neste cenário, como vislumbrar um futuro promissor? Um dos termômetros mais importantes para mensurar as expectativas são os índices de confiança. No ano passado, quando ficou claro para sociedade que o processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff era inexorável, os principais indicadores de confiança dispararam.

No último trimestre, no entanto, as expectativas voltaram a piorar diante da constatação de que a retomada do PIB seria mais lenta e menos impetuosa. Resultado: o desânimo começou a habitar corações e mentes de empresários e consumidores. Vieram o Natal, o Réveillon e os primeiros dias do ano novo até que algumas notícias positivas começaram a pipocar no noticiário econômico. Uma delas foi a surpreendente desaceleração da inflação oficial, que ficou abaixo do limite da meta de 6,5%. Um resultado impensável para a maioria dos analistas até meados de dezembro.

O mérito é da nova direção do Banco Central (BC). Na sequência, o mesmo BC teve um choque de bom senso e acelerou a queda dos juros básicos, surpreendendo mais uma vez os economistas. Desde então é comum ouvir empresários e representantes de entidades patronais emitindo declarações otimistas sobre o futuro da economia. De uma forma geral, o consenso passou a ser de retomada do PIB no segundo semestre, seguida de um 2018 ainda melhor. Traduzindo em números: o Brasil crescerá 0,5% neste ano, mas chegará ao último trimestre numa expansão anualizada de 2%. Um bom ritmo para iniciar 2018.

Na recente edição do Fórum Econômico Mundial, em Davos, nos Alpes suíços, o Brasil ainda foi visto com certa desconfiança pelos investidores estrangeiros. Porém, os executivos brasileiros não esconderam a convicção de que o ambiente de negócios está melhorando. Uma pesquisa da PricewaterhouseCoopers (PwC) mostrou que 57% dos CEOs do País projetam aumento de receita durante o ano. Em 2016, no mesmo evento, o percentual era de apenas 24%. Na quarta-feira 18, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) divulgou que o índice de confiança passou de 48 pontos para 50,1 pontos, entre dezembro e janeiro.

Foi a primeira alta após três meses consecutivos de queda. Numa escala de zero a 100 pontos, indicadores acima de 50 pontos demonstram otimismo. É claro que, nesse caso (50,1 pontos), se trata de um otimismo muito tímido, mas bem superior aos 36,5 pontos registrados em janeiro de 2016. A partir de agora, a prioridade do governo deve ser a aprovação da reforma da Previdência, da minirreforma trabalhista e da desburocratização do ambiente de negócios. A gravíssima questão fiscal de Estados e municípios também precisa ser equacionada. O risco de o clima azedar novamente existe principalmente no âmbito político. 

A Operação Lava Jato é um fantasma que assombra Brasília e a incerteza sobre o seu desfecho aumentou após a trágica morte do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Teori Zavascki, relator da Lava Jato. Conforme a equipe econômica for colhendo frutos dos ajustes, mais notícias positivas ganharão destaque e a confiança de empresários e consumidores crescerá ainda mais. Restará a etapa final da recuperação economia: a transformação de otimismo em empregos. Como? Criando as condições econômicas e políticas adequadas para que os empresários voltem a investir. Não há outro caminho.