Dinheiro em Ação

Nota de crédito da Vale pode cair para grau especulativo

Nota de crédito da Vale pode cair para grau especulativo

Papéis avulsos

Como consequência do rompimento da barragem da Vale em Brumadinho (MG), tragédia que contabiliza até agora 165 mortos e 155 desaparecidos, a mineradora pode ter sua nota de crédito rebaixada para grau especulativo. De acordo com a agência de classificação de risco Standard & Poor’s (S&P), há 50% de chance de isso acontecer. “Consideramos como fonte de risco a provável falha de governança da Vale, o que levou a um segundo rompimento de barragem em menos de quatro anos”, diz Flávia Bedran, analista da S&P, em relatório. “Isso ressalta a incapacidade da empresa de mitigar os riscos estruturais das barragens”, complementa. Hoje, a Vale, presidida por Fabio Schvartsman, tem nota “BBB”, o que a atesta sua capacidade de honrar dívidas. Isso pode mudar com a queda da liquidez, que já foi afetada pelo bloqueio judicial de R$ 11,1 bilhões para honrar indenizações a vítimas do desastre que aconteceu no dia 25 de janeiro. “Além disso, há incertezas quanto aos termos e condições das multas, e a quantidade de fluxo de caixa que será alocada para arcar com danos ambientais”, escreve Bedran.

 

Energia

Aumento das vendas faz lucro da Comgás dobrar em 2018

A Comgás, empresa controlada pela Cosan, lucrou R$ 1,34 bilhão no ano passado, avanço de 109,3% em relação ao ganho de R$ 640 milhões registrado em 2017. A receita subiu 20,6%, para R$ 2,32 bilhões no período. O resultado reflete a redução de 89% das despesas operacionais, o reconhecimento de créditos tributários, de R$ 76 milhões, e o encerramento de disputas judiciais de R$ 726 milhões. “À parte esses eventos não recorrentes, a expansão do volume de vendas se destaca no balanço ao refletir no avanço de 11,7% no Ebitda do quarto trimestre”, avalia Sandra Peres, analista da Coinvalores. A Cosan pretende comprar os papéis da Comgás por R$ 82 em um leilão marcado para o dia 8 de março.

 

Infraestrutura

Nova direção na Cemig

O governador Romeu Zema (MG), nomeou Cledorvino Belini como o novo presidente da Cemig. Ele vai acumular os cargos de diretor vice-presidente, diretor jurídico e diretor de gestão de pessoas. Belini fez a sua carreira na Fiat, onde trabalhou por 44 anos. De 2004 a 2015, ele foi presidente da montadora no Brasil e na América Latina. Analistas avaliam que o executivo tem competência para contribuir na recuperação e na melhora da rentabilidade da Cemig. Os acionistas aprovaram a mudança, e as ações sobem 4,79% no ano.

 

Quem vem lá

XP pode captar R$ 40 bilhões na Nasdaq em 2020

A XP Investimentos mantém os planos para realizar uma Oferta Pública de Ações (IPO, na sigla em inglês) no Nasdaq, bolsa eletrônica americana dedicada a empresa tecnologia. O evento pode ser concretizado em 2020, e movimentar cerca de R$ 40 bilhões. A empresa, fundada em 2001 por Guilherme Benchimol, tem dois sócios: o Itaú, com uma parcela de 49,9% do capital e o fundo de private equity americano General Atlantic, que estaria incentivando a companhia a abrir capital fora do Brasil. Procurada, a XP confirmou, por meio da assessoria de imprensa, que está estudando o assunto.

 

Touro x Urso

O Ibovespa operou volátil na semana passada com os investidores aguardando a saída do presidente Jair Bolsonaro do hospital, o que aconteceu na quarta-feira 13 e renovou a aposta de que a tramitação da proposta da Previdência no Congresso aconteça ainda neste semestre. No ano, o Ibovespa sobe 9,3%.

 

Destaque no pregão

BB Seguridade vê ganhos encolherem 10%

A BB Seguridade, subsidiária do Banco do Brasil, lucrou R$ 839,8 milhões no quarto trimestre de 2018, queda de 10,7% em relação ao mesmo período de 2017. O resultado reflete a diminuição no resultado financeiro, que foi afetado pela queda na Selic e pela forte elevação na taxa de remuneração dos passivos da Brasilprev. “No curto prazo, os números da companhia presidida por Walter Malieni devem seguir pressionados em função da manutenção das taxas de juros e da concorrência do setor”, diz Luiz Gustavo Pereira, analista da Guide Investimentos. No médio prazo, a perspectiva é positiva: “O sólido desempenho com plano de previdência nos faz acreditar no potencial da empresa de melhorar seus resultados nos próximos trimestres”. A companhia é tradicionalmente boa pagadora de dividendos. Na terça-feira 12, ela distribuiu R$ 1,35 bilhão em proventos aos acionistas.

Palavra do analista:
“As ações permanecem com um rendimento de dividendo atrativo, de 6% do lucro para 12 meses”, escreve Pereira, da Guide. Ele destaca como um dos pontos positivos do balanço o forte crescimento no segmento de resseguros, que avançou 89,4% no quarto trimestre, para R$ 60,4 milhões. O papel sobe 4,8% no ano.

 

 

Mercado em números

KLABIN
R$ 913 milhões – É o lucro apresentado pela produtora de papel e celulose no quarto trimestre do ano passado, o que reverte o prejuízo de R$ 83 milhões apresentado no último trimestre de 2017

RUMO
R$ 137 milhões – Foi o lucro da empresa de concessões ferroviárias e terminais portuários no quarto trimestre de 2018, o que reverte prejuízo de R$ 57 milhões no mesmo período de 2017

EMBRAER
181 – É o número de jatos que a companhia entregou em 2018, sendo 90 aeronaves comerciais e 91 jatos executivos

IRB
32% – Foi o aumento no lucro da resseguradora no ano passado, que somou R$ 1,2 bilhão. Os prêmios emitidos pela companhia avançaram 43,2% e somaram R$ 6,9 bilhões no período

JBS
US$ 20 milhões – É o valor que a companhia vai investir nos Estados Unidos para ampliar a produção de bacon

 

O número da semana

49,9%

É o percentual de famílias da cidade de São Paulo que estavam endividadas no fim de janeiro, segundo uma pesquisa da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (Fecomercio-SP), divulgada na quarta-feira 13.
O primeiro mês do ano é marcado por gastos extraordinários. É quando chegam as cobranças de impostos – como IPVA e IPTU – e quando os pais de crianças em idade escolar se vêem às voltas com matrículas e compras de material. Por isso, a alta de 1,2 ponto percentual em relação aos 48,7% de dezembro. No entanto, o total de famílias com dívidas a honrar caiu 3,4 pontos percentuais ante janeiro de 2018, quando esse percentual era de 53,3%. Segundo a Fecomercio, 120 mil famílias paulistanas quitaram todos os seus passivos. O número de famílias endividadas caiu para 1,95 milhão. A forma de endividamento mais comum continua sendo a do cartão de crédito, que representa 71% dos casos. Os dados são da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC), da Fecomercio.

 

 

Entrevista da semana

“Vamos investir R$ 50 milhões em tecnologia”

Habib Nascif, presidente da Órama

A plataforma de investimentos Órama, que distribui fundos, produtos de previdência privada e títulos de crédito desde 2011, lançou seu home broker na terça-feira 12. A meta é aumentar a receita em 25% até dezembro. Habib Nascif, presidente da companhia, conversou com a DINHEIRO.

Qual a importância de agregar o home broker ao cardápio de serviços?
Isso complementa nossas ferramentas. O investidor nos fornece alguns dados e sugerimos um portfólio. A ideia é que o cliente agregue todas as suas operações em um único lugar, e a oferta de assessoria em renda variável permite aumentar a diversificação das carteiras.

Qual o diferencial?
Vamos oferecer relatórios e estudos independentes de análise de empresas. Isso deve estar disponível daqui a um mês.

Quanto foi o investimento para criar a plataforma?
Investimos R$ 20 milhões em tecnologia no ano passado. Neste ano, vamos aumentar essa cifra para R$ 50 milhões. Essa é a nossa aposta para crescer.

Hoje, menos de 900 mil pessoas físicas investem na Bolsa. Há espaço para crescimento? Qual o potencial da Órama?
Estudamos o mercado e verificamos que 30% da nossa base de clientes, cujo número não divulgamos, deve aderir ao home broker imediatamente. Nosso objetivo é que essa iniciativa eleve a base de clientes em 20% neste ano.

O Índice Bovespa flerta com os 100 mil pontos. Quando ele poderá chegar nesse patamar?
Com essa perspectiva de manutenção dos juros baixos – a Selic deve se manter em 6,5% até o fim do ano –, nosso economista acredita que podemos chegar facilmente aos 120 mil pontos, até dezembro. Para esse cenário, consideramos
a aprovação das reformas.