A Nokia se tornou a principal concorrente da Huawei na disputa pelo mercado global de 5G, a próxima fronteira de conexão de internet. A finlandesa anunciou nesta semana que já assinou 42 acordos comerciais para prover 5G, o mesmo número que a rival chinesa havia divulgado. A diferença está na velocidade do negócio: segundo a empresa de pesquisa Forrester, a Nokia fechou um novo contrato por semana desde março, enquanto a Huawei demorou meses para alcançar a mesma marca.

A pressão dos Estados Unidos para que países aliados dificultem as negociações com a Huawei foi apontada pelos analistas como principal motivo para a desaceleração da chinesa. Desde o início do ano Washington faz uma campanha pública acusando a empresa de espionagem para Pequim.

No mês passado o presidente Donald Trump colocou a Huawei em uma lista de empresas que necessitam de autorização especial para fazer negócios com os Estados Unidos. A medida foi um duro golpe ao restringir que companhias norte-americanas forneçam equipamentos, chips e serviços para a chinesa.

“Como a cadeia de suprimentos 5G é tão global, as ações dos EUA estão tendo um impacto amplo nos fornecedores e clientes de sua infraestrutura e smartphones, forçando todos os envolvidos a fazer escolhas que não fariam e com um cronograma apertado”, afirmaram analistas do Eurasia Group.

A Huawei está encontrando barreiras inclusive em antigos aliados. Na semana passada, o SoftBank, fundo de investimento bilionário japonês, afirmou que usará a 5G da Nokia e Ericson e não da Huawei, que já fornece conexão em 4G.

“Se a capacidade da Huawei de vender e oferecer suporte a seus equipamentos de rede para operadoras em certas partes do mundo estiver prejudicada, como a empresa está impedida nos Estados Unidos, a Ericsson e a Nokia provavelmente se beneficiarão”, disseram analistas da Fitch Ratings em nota.