Estilo

No ritmo da Armand de Brignac

Um ano e meio após ser comprada pelo rapper Jay-Z, a grife francesa de champanhe intensifica o seu projeto de expansão pelo mundo

Crédito: Andre Lessa/Istoe

Bebida de ouro: o CEO Besson quer pessoas influentes tomando o seu champanhe (Crédito: Andre Lessa/Istoe)

Uma garrafa dourada com o símbolo do Ás de Espadas prateado pode ser considerada, no mínimo, chamativa. Dentro dela, um líquido borbulhante e com um tom de cor similar ao da embalagem traz ainda mais traços de requinte para o produto. Essas características não são por acaso. Foi a forma que a empresa francesa de champanhes Armand de Brignac encontrou para ser cobiçada por ricos consumidores dispostos a gastar até R$ 7 mil por garrafa. Deu certo. Um ano e meio depois de ser comprada pelo rapper americano Jay-Z, em um negócio estimado em mais de R$ 100 milhões, a empresa vem intensificando a sua expansão global e chega ao Brasil com a meta de vender 1,2 mil garrafas de champanhe em 2017. “Temos diversos brasileiros que consomem nossos produtos na Europa e nos Estados Unidos”, diz o franco-americano Sebastien Besson, CEO global da empresa. “Sabemos que eles gostam do produto.”

O rapper Jay-Z, dono da marca, é um exemplo de celebridade que consome o champanhe
O rapper Jay-Z, dono da marca, é um exemplo de celebridade que consome o champanhe

A estratégia é atrair os clientes que buscam ostentação no dia a dia. Logo, a presença em casas noturnas e restaurantes badalados será fundamental para os planos da Armand de Brignac e da Famiglia Valduga, uma das principais produtoras de vinho do País e importadora da marca. Por meio do seu braço Domno, a empresa gaúcha espera anunciar parcerias até abril e muitas delas serão com clientes tradicionais que a importadora já atende, como os refinados hotéis Emiliano, Unique e Fasano, em São Paulo, além do Copacabana Palace, no Rio de Janeiro. “Da nossa carteira de 12 mil clientes, acredito que uns 300 se interessarão”, afirma Jones Valduga, diretor da companhia. A meta é também aumentar o consumo da bebida em outras ocasiões, como refeições. “Queremos mostrar que o champanhe é bom para festejar, mas também para relaxar em um churrasco ou em um jantar”, diz.

Apesar da vontade do executivo, será difícil desvincular a imagem do produto às festas e fazer frente às suas principais concorrentes. “A Armand de Brignac precisará investir muito em propaganda para ser reconhecida como Cristal e Dom Pérignon”, diz Paulo Brammer, diretor da Eno Cultura. A missão pode ser complicada até mesmo por conta de seu histórico. A característica festeira foi o que chamou a atenção do rapper Jay-Z em 2006. Na época, o marido da estrela americana Beyoncé foi desdenhado por Frédéric Rouzaud, CEO da Louis Roederer, produtora do champanhe Cristal. O executivo se mostrava incomodado por astros do hip hop ostentarem as suas garrafas em clipes e casas noturnas.

Jay-Z, então um dos maiores consumidores, se sentiu traído e contra-atacou com um boicote. De olho na briga e na oportunidade, a Armand de Brignac criou a sua garrafa dourada para chamar a atenção desse público. A estratégia foi certeira. No mesmo ano, a marca já era vista em clipes do cantor, que oito anos mais tarde adquiriria a empresa. Agora, mais do que nunca, a marca não fará a distinção de clientes – mas Besson quer que o rótulo seja desejado por pessoas bem-sucedidas. “Não importa se é da música, da televisão ou do mercado financeiro”, diz. “Queremos pessoas influentes pedindo o nosso champanhe.”