Tecnologia

No planeta Intel

Empresa que é sinônimo de semicondutores bate recorde de receita pelo sexto ano consecutivo e atinge o status de décima segunda marca mais valiosa do mundo. Falamos com seu novo vice-presidente para o Brasil e Américas.

Crédito: Divulgação

VENDO TUDO DO ALTO Greg Ernst em meio ao emaranhado de circuitos e bons números da empresa californiana. (Crédito: Divulgação)

A décima segunda marca mais valiosa do mundo parece se expandir como os complexos caminhos dos circuitos impressos de uma placa-mãe, tendo ao centro seu cérebro: o processador. A partir dele chega-se a notebooks e desktops, a servidores, a unidades gráficas, a memórias e armazenamentos, a produtos sem-fio e Ethernet, a inteligência artificial, a data centers, a tecnologias de segurança. É preciso realmente um engenheiro eletrônico para desmembrar e pesar cada uma dessas áreas de negócios da californiana Intel. “Estamos vendo uma demanda robusta em todos os nossos negócios, seja inteligência artificial, conectividade universal, computação ubíqua ou infraestrutura de nuvem em borda”, disse à DINHEIRO Greg Ernst, novo vice-presidente corporativo de vendas, marketing e comunicação e diretor-geral para a América da Intel. Depois de atuar na mesma área, mas restrito aos EUA, ele agora tem o desafio de brilhar somando um grande continente, que tem o Brasil como peça-chave. São 35 anos de presença da Intel por aqui. “Vejo o Brasil como um superplayer tecnológico emergente em escala global”, afirmou o executivo. “Estou animado.”

A empolgação com o novo cargo foi comemorada com uma garrafa de champanhe, dada por sua equipe em São Francisco, Estados Unidos, e uma ligação para sua mulher, Emily, com quem divide os prazeres de uma atividade bem longe da tecnológica: a produção de vinho em Sonoma County, com 250 videiras e uvas do tipo Petit Syrah e Zinfandel. Dali saem garrafas E&E (Ernst & Ernst), premiadas em concursos da região. “Se você pensa que o novo cargo veio com um novo escritório, está enganado. Continuo trabalhando no mesmo cubículo”, disse, com humor, Ernst. Na Intel, a atitude dele é semelhante à dos vinhos. Ter uma visão e defender o que acredita, agora para uma equipe multicultural que espera ver nele um líder inspirador. No Brasil, a meta é fortalecer o compromisso com o ecossistema de TI local. “O recente boom tecnológico e de startups tem impulsionado investimentos sem precedentes”, afirmou, pontuando que o Brasil tem a comunidade de desenvolvedores de softwares que mais cresce no mundo, segundo o relatório anual do GitHub. “Unicórnios em países como México e Brasil dobraram em número e em valor, acelerando a transformação de várias verticais como agronegócio, manufatura, hotelaria, saúde, finanças e cidades inteligentes.” Ernst acredita que o País é um driver tecnológico, com oportunidades incomparáveis de crescimento no mercado de TI, de edge-to-cloud, inteligência artificial e 5G. Isso, claro, se o Brasil der vários passos certos nesses próximos anos — e sair da estagnação.

PAUSA PARA O VINHO O executivo e a mulher, Emily: eles têm 250 videiras com uvas Petit Syrah e Zinfandel. Dali saem garrafas E&E (Ernst & Ernst), premiadas em concursos da região de Sonoma. (Crédito:Divulgação)

A pandemia afetou os negócios? “Não, a tecnologia não foi abalada pelo Covid-19, foi impulsionada. As pessoas puderam aprender, trabalhar e se divertir em casa graças aos nossos dispositivos”, disse, salientando a dificuldade no aspecto humano. “Tivemos de intensificar nosso esquema, pois 95% das infraestruturas digitais em todo o mundo usam soluções da Intel.” Hoje, tudo se parece com um computador e os semicondutores são a espinha dorsal da economia global. É um mercado que está impulsionando a transformação de quase todos os setores, com previsão de dobrar e atingir US$ 1 trilhão até 2030. Só em servidores Xeon Intel são 100 milhões de bases instaladas pelo globo. Isso fez com que a empresa alcançasse em 2021 o sexto ano de receita recorde, com US$ 74,7 bilhões, ou 2% de crescimento em relação a 2020.

SUPPLY CHAIN A Intel investiu US$ 20 bilhões em duas fábricas de chips em Ohio, em um movimento depois de 40 anos sem construir uma nova. Tudo para atender a crescente demanda por semicondutores avançados. A empresa quer se tornar um importante fornecedor de recursos de fundição nos EUA e na Europa e construir uma cadeia de suprimentos mais resiliente que garantirá acesso confiável a semicondutores avançados nos próximos anos. Ou seja, ficar dependente da China e países do outro lado do Oceano Atlântico não é uma boa estratégia, como as empresas que estão sofrendo com a falta de processadores já perceberam. Mas essa cadeia de fabricação e montagem de um microprocessador é altamente complexa e requer coordenação e suprimento globais. Exemplo: um chip com design americano, mas feito em uma fábrica em Taiwan, será considerado chinês.

Uma guerra particular é entre a Intel e Apple. Faz dois anos, a segunda anunciou que usaria processadores baseados no M1 ARM em seus produtos, quebrando uma parceria histórica. Apesar de desviar muito bem do embate, Ernst reforça o que os números não o deixam mentir: “O ano de 2021 foi o melhor que tivemos na última década para a indústria de PCs, com uma taxa de crescimento de 25%.” Realmente a Intel continua lá em cima no market share dos semicondutores — só a Samsung divide posição com ela nesse bolo, mas a diferença se limita a uma casa depois da vírgula ao longo de 2021. A Apple não vende seus chips fora de suas máquinas, então, nem faz cócegas na Intel. Ernst defende o novo design de seu chip, que seria mais eficiente e deixaria os laptops mais finos e leves, termos que qualquer consumidor entende muito bem.

Fabio X
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