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No embalo da Copa

A farmacêutica Cimed renova patrocínio com a CBF, amplia aportes em marketing e anuncia construção de nova fábrica de medicamentos. O objetivo é alcançar o faturamento de R$ 2 bilhões em 2020

Crédito: Claudio Gatti

Bola cheia: após assumir a operação da Cimed em 2012, João Adibe multiplicou o faturamento da farmacêutica, de R$ 400 milhões para R$ 1 bilhão (Crédito: Claudio Gatti)

O vexame da seleção brasileira na semifinal da Copa do Mundo de 2014 e a imagem desgastada da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), envolvida diretamente em escândalos de corrupção no esporte, afastaram grandes patrocinadores da entidade. Parceiros como Samsung, GM, Procter & Gamble, Michelin, Sadia e Unimed Seguros romperam ou não renovaram acordos com a entidade entre 2015 e 2017. Mas o empresário João Adibe, CEO da farmacêutica mineira Cimed, enxergou uma oportunidade de exposição. Em 2016, quando a seleção brasileira ainda vacilava nas eliminatórias para Copa do Mundo sob o comando do técnico Dunga, ele fechou o contrato de patrocínio com a CBF.

Hoje, Adibe começa a colher os frutos da decisão ousada de patrocinar o Brasil. Seis dias antes do início da Copa na Rússia, a empresa renovou o patrocínio da seleção, até dezembro de 2023 – o ciclo antigo teria fim em 2019. “O que aconteceu foi uma questão de oportunidade. Já que outros patrocinadores saíram, nós acreditamos”, diz ele, que está acompanhando o time brasileiro em solo russo. “Além disso, por ser um produto de exclusividade, eu travo meus concorrentes de poderem patrocinar a seleção também.”

Mais do que uma oportunidade, associar o logo da Cimed à seleção brasileira de futebol é uma estratégia para marcar presença no imaginário do consumidor local. Para isso, Adibe está investindo R$ 20 milhões em ações de marketing ligadas à Copa do Mundo. Isso representa um quinto de toda a sua verba anual de propaganda. Se for olhar só o esporte, a Copa ficou com um terço dos R$ 60 milhões que a quarta maior empresa farmacêutica brasileira destinou neste ano para o vôlei e para manter duas equipes na Stock Car, a principal competição do automobilismo no País, além do futebol. “O esporte está no DNA da empresa”, afirma Adibe. “Isso é uma paixão porque esporte traz saúde e a Cimed vende saúde.”

Tradição mineira: com a construção da nova unidade em Minas Gerais, a Cimed amplia sua presença no Estado, onde detém um complexo com centro de pesquisa, inovação e distribuição (Crédito:Divulgação)

Ao mesmo tempo em que olha para o esporte, Adibe não descuida dos negócios. Para acompanhar a evolução e a inovação na indústria farmacêutica, a Cimed dará início, no segundo semestre deste ano, à construção de uma nova fábrica de medicamentos sólidos, que deve ser inaugurada até 2020. Com investimento estimado em R$ 140 milhões, a unidade ficará próxima ao complexo fabril da empresa, localizado no município mineiro de Pouso Alegre. O executivo estima que 300 vagas de emprego sejam criadas. A ideia é que os equipamentos coloquem a empresa no universo da indústria 4.0, com produção conectada, inteligente e eficiente, o que vai gerar ganhos de produtividade. A decisão é uma forma de não ficar para trás das concorrentes, como a EMS, que também estão modernizando suas instalações. “Essa unidade será focada no aumento da produção de medicamentos, como drágeas e efervescentes, basicamente para antidepressivos e antibióticos”, diz Adibe. “Ela também contará com tecnologia de última geração.”

O segredo por trás da evolução dos números da empresa está muito ligado à aceitação dos medicamentos genéricos por parte dos brasileiros. Esse mercado movimentou R$ 7,4 bilhões no ano passado e responde por 32,5% das vendas. Segundo o Sindicato da Indústria de Produtos Farmacêuticos (Sindusfarma), o período de recessão econômica e os critérios rígidos da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) foram cruciais para o desempenho do mercado de genéricos. “O setor farmacêutico não sentiu tanto o reflexo da crise”, diz Nelson Mussolini, presidente executivo do Sindusfarma.

Enquanto o crescimento no volume de produtos no mercado de farmácias é de 6,8% neste ano, os medicamentos sem marca crescem por volta de 15%. Em valores, eles mantêm uma expansão de 13,5%. Após faturar o primeiro bilhão na história da empresa em 2017, a Cimed projeta um avanço de 30% no faturamento neste ano. Em 2020, quando a nova operação estará em funcionamento, a meta é alcançar uma receita de R$ 2 bilhões. “O nosso foco é aumentar o portfólio de medicamentos genéricos, principalmente porque é onde temos a maior fatia de crescimento dentro do mercado atualmente”, afirma Adibe, que até 15 de julho ficará mergulhado no universo da Copa do Mundo.