Internacional

No banco do BRICS

Marcos Troyjo, secretário Especial de Comércio Exterior e Assuntos Internacionais do Ministério da Economia, é indicado para a presidência do NBD, instituição financeira criada em conjunto pelas cinco maiores economias emergentes.

Crédito: Marco Ankosqui

Há US$ 1 bilhão no caixa do Novo Banco de Desenvolvimento (NBD) aguardando solicitação do governo brasileiro para ser usado em ações relacionadas à pandemia do novo coronavírus. Caso o Brasil decida aceitar o empréstimo, como já fez a China, terá 30 anos para quitar a dívida. A quantia faz parte do Programa de Assistência Emergencial no combate à Covid-19, criado pelo NBD para auxiliar os cinco países que integram o BRICS — Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul. Embora a notícia seja alvissareira, ela ficou praticamente ofuscada, nos últimos dias, por outra ainda melhor: a escolha de Marcos Troyjo, atual secretário Especial de Comércio Exterior e Assuntos Internacionais do Ministério da Economia, para presidir o banco pelos próximos cinco anos.

A indicação de Troyjo, que já ocupa uma cadeira no Conselho de Administração do “banco do BRICS”, como é mais conhecido, foi confirmada na segunda-feira 20 pelo ministro Paulo Guedes. “A eleição será no dia 27 de maio, quando os governadores irão oficializar a escolha”, afirmou Troyjo à DINHEIRO, destacando que, embora a eleição seja formalmente necessária, não há outros candidatos. Isso faz com que ele seja desde já o escolhido. O estatuto do banco prevê que a presidência siga um rodízio entre os países que formam o BRICS. O indiano K. V. Kamath ocupa o posto desde 2015 — e o próximo mandato será do Brasil. A posse será em 7 de julho.

DIPLOMACIA E NEGÓCIOS — Economista e cientista político formado pela Universidade de São Paulo (USP), onde obteve o título de doutor em sociologia das relações internacionais, Troyjo estudou também no Instituto Rio Branco, a academia diplomática do Ministério das Relações Exteriores, e na Kennedy School of Government da Universidade Harvard (EUA). Entre os assuntos de seu interesse, os países do BRICS ocupam papel central, a ponto de ele ter criado e dirigir o o BRICLab da Universidade Columbia. Integrante do Conselho Consultivo do Fórum Econômico Mundial e pesquisador do Centre d’Études sur l’Actuel et le Quotidien da Universidade Paris-Descartes (Sorbonne), fundou o Centro de Diplomacia Empresarial, um grupo de reflexão independente sobre empreendedorismo global. Como diplomata, foi secretário de imprensa da Missão Brasileira nas Nações Unidas em Nova York e chefe de gabinete do Departamento de Ciência e Tecnologia do Ministério das Relações Exteriores.

“Nosso conselheiro Marco Troyjo é um diplomata por formação e por natureza. Equilibrado, educado e com grande bom senso”, diz Humberto Casagrande, superintendente Geral do Centro de Integração Empresa Escola (CIEE). “Ao mesmo tempo, apresenta visão pragmática das questões globais, com ótimo entendimento do mundo dos negócios”, afirma. Além de integrar o conselho da entidade, Troyjo é autor de “Desglobalização — Crônica de um Mundo Em Mudança” (2016) e de “Nação-Comerciante — Poder e Prosperidade no Século XXI” (2007), livro listado entre os sete mais influentes em sua área pela revista America’s Quarterly, publicada pelo Council of the Americas.

A escolha do novo presidente do NBD estava prevista para ocorrer durante o encontro anual da instituição, no Rio de Janeiro. Devido à pandemia de Covid-19, a reunião precisou ser cancelada. Agora, o pleito será virtual. Coincidentemente foi no Brasil, em julho de 2014, que os presidentes dos países que integram o BRICS assinaram a criação do banco da entidade, voltado para projetos de infraestrutura e desenvolvimento em países pobres e emergentes. O acordo, firmado em Fortaleza (CE), definiu tanto as regras de funcionamento quanto a estrutura financeira da instituição, que nasceu com um capital inicial autorizado de US$ 100 bilhões. Até o ano passado haviam sido celebrados 30 contratos de financiamento, com um volume de recursos de US$ 8 bilhões. O NBD serve como alternativa ao Fundo Monetário Internacional (FMI) e ao Banco Mundial, muitas vezes incapazes de atender às demandas dos emergentes.

Em julho, quando assumir a presidência do banco do BRICS, cuja sede é em Xangai, na China, o brasileiro Troyjo encontrará um mundo ainda em choque pelos estragos da pandemia. Será a chance de colocar em prática o conhecimento que vem acumulando em uma vida toda dedicada ao assunto.

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