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Netflix lança US$ 2 bilhões em títulos de dívidas para financiar produções originais

O serviço de streaming disse que o dinheiro será usado para financiar produções originais, de olho no crescimento da concorrência no setor

Netflix lança US$ 2 bilhões em títulos de dívidas para financiar produções originais

CEO da Netflix, Reed Hastings, em 6 de janeiro de 2016 na feira CES de Las Vegas - AFP/Arquivos

Apesar de ser a grande referência em serviços de vídeos por streaming, a Netflix nunca esteve em situação confortável financeiramente. Atualmente a empresa conta com US$ 12,3 bilhões em dívidas, que só não são um problema por conta do espaço que a companhia ocupa na indústria de entretenimento e a grande liquidez de sua operação. Por conta disso, a Netflix anunciou nesta segunda-feira (21) via nota para a imprensa, que irá lançar no mercado mais US$ 2 bilhões em títulos de dívida com o objetivo de aumentar ainda mais o investimentos em suas produções originais. Esta é a segunda vez no ano que a marca de Reed Hastings faz este tipo de movimento, já que em abril a empresa lançou no mercado a mesma quantidade de títulos para o mesmo fim.

A Netflix já havia avisado a seus investidores que 2019 seria o ano em que a companhia iria atingir o ápice de sua “queima de dinheiro”. Em nota a investidores, o serviço de streaming explicou que após os excessos deste ano, ela começará a investir em seus programas originais com dinheiro interno, melhorando seu cash flow para 2020. A notícia das emissões de dívidas fez com que as ações da Netflix abrissem a semana em queda, porém os títulos da empresa voltaram a operar em território positivo, com alta de 0,96% (aferido as 13:51h).

A grande quantidade de títulos de dívidas emitidos pela Netflix tem uma razão de ser: 2019 e 2020 serão os anos que as empresas tradicionais do entretenimento americano entrarão forte no terreno do streaming, onde a Netflix desbravou e se estabeleceu antes de todos. O Disney+, serviço de streaming da empresa do Mickey, será lançado em novembro. O serviço on demand da Apple também sairá no mesmo mês, enquanto o Peacock, da NBC, e o HBO Max, do grupo Warner Bros, começarão a funcionar em 2020.

Apesar de um cenário de perda de primazia, Hastings já disse que vê com bons olhos a concorrência, uma vez com o crescimento de players no setor pode aumentar investimentos em geral e possibilitando jogadas mais arriscadas