Dinheiro em foco

“Nem o juro baixo faz o brasileiro investir no exterior”

Crédito: Sidinei Lopes

Quem é William Eid Júnior: Professor Titular de Finanças da EAESP/FGV; Coordenador do Centro de Estudos em Finanças da Fundação Getulio Vargas (FGVcef). (Crédito: Sidinei Lopes)

Apesar de todo o alarde com relação às mudanças provocadas pela queda sistemática das taxas de juros, o comportamento do investidor brasileiro não mudou em sua essência nos últimos anos. Esse é o resultado de uma das maiores pesquisas sobre as preferências dos investidores, realizada pelo Centro de Estudos em Finanças da Fundação Getulio Vargas (FGVcef), com patrocínio da Gorila Invest e da empresa de análise independente Eleven Financial Research. A pesquisa foi coordenada pelo professor William Eid Júnior.



O que torna essa pesquisa tão relevante?
Sua amplitude. Analisamos as carteiras de 34 mil investidores, o que é inédito. São muito raras as pesquisas que falam com tanta gente. E analisamos o comportamento dos investidores em um período atípico, que se iniciou em 2017. Desde o início desse período, as taxas de juros brasileiras recuaram sistematicamente e as ações, apesar dos solavancos, avançaram de maneira consistente.

Quais foram os resultados?
Na pesquisa, separamos os investidores por perfil. Diferenciamos os conservadores, os moderados e os arrojados. Se fôssemos esperar pelos resultados do livro texto, veríamos uma migração de recursos dos investimentos mais seguros e menos rentáveis para os mais rentáveis e mais arriscados. Essa migração seria relativamente uniforme: maior nos investidores mais arrojados, menor nos investidores mais conservadores.

E não foi isso o que ocorreu?
Não exatamente. O investimento que mais sofreu resgates foi a renda fixa bancária, basicamente os Certificados de Depósito Bancário (CDB), cuja participação no total desabou, caindo de 62% para 17%. Porém, parte dos recursos migrou para os fundos de renda fixa. Ou seja, o investidor permaneceu na mesma classe de ativos, só mudou o veículo. Provavelmente, o que atraiu esses recursos foi o apelo dos fundos de crédito privado, que oferecem mais retornos.

O que vocês notaram em relação à diversificação?
Que algumas aplicações como Tesouro Direto e fundos imobiliários têm uma participação na carteira média do investidor brasileiro desproporcional à relevância que têm na mídia. O mesmo ocorre com a renda variável. A preferência dos investidores que resolveram migrar para a bolsa foi nos fundos de ações. Sua participação cresceu de 6,4% para 20%. Mas os investimentos diretos em ações cresceram bem menos. Eram praticamente zero no início da análise e, no fim desse período, haviam crescido para 1,2%.



Os investimentos no exterior não cresceram?
Não. Nem mesmo a queda dos juros foi capaz de romper o que chamamos de “home bias”, ou viés doméstico. É a propensão dos investidores a preferir o que é conhecido e a evitar investimentos que eles consideram exóticos. No início do período da pesquisa, quando os juros eram altos e as ações estavam baratas, as aplicações internacionais eram de 0,22% do total. No fim do período de análise, esse percentual, que já era diminuto, havia caído para 0,19% do total. Ou seja, nem os juros baixos são capazes de fazer o brasileiro investir no exterior.

RESULTADOS
XP lucra R$ 570 milhões

O lucro da XP cresceu para R$ 570 milhões no terceiro trimestre, alta de 119% ante o mesmo período do ano anterior. Nesse período, o faturamento cresceu 55% em relação ao terceiro trimestre de 2019, e atingiu R$ 2,2 bilhões, devido ao aumento dos negócios no varejo, que são responsáveis por 76% do total de resultados. O faturamento do varejo aumentou 80% no terceiro trimestre em comparação com o mesmo período de 2019, crescendo para R$ 1,7 bilhão. O total de ativos sob custódia avançou para R$ 563 bilhões. O aumento nesses ativos foi de R$ 212 bilhões, sendo R$ 195 bilhões de arrecadação líquida e R$ 17 bilhões de valorização do mercado.

FINTECHS
Hurst lança CCB 

A plataforma de investimentos alternativos, Hurst Capital, lançou uma Cédula de Crédito Bancário (CCB) de emissão da própria fintech. A empresa informou que a operação oferece rentabilidade de 10% ao ano e tem prazo de 180 meses, com pagamento mensal de juros e principal (Tabela Price).

Os recursos serão utilizados para pré-financiar parte das aquisições de ativos que serão posteriormente distribuídas na plataforma Hurst. “Nos últimos 12 meses pré-financiamos mais de R$ 28 milhões em ativos alternativos”, disse o sócio e CIO da Hurst, Leonardo Vianna.

Número da semana
2,67% 

Foi o percentual de alta do Índice Geral de Preços-Mercado (IGP-M) na prévia do primeiro decêndio de novembro, informou a Fundação Getulio Vargas (FGV), na terça-feira (10). Segundo a instituição, com esse resultado, a taxa em 12 meses passou de 19,45% para 23,79%. Para efeito de comparação, no primeiro decêndio de outubro ficou em 1,97%. O IGP-M leva em conta a variação de outros três indicadores. O Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA) subiu, no mesmo período, 3,48%, o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) apresentou alta de 0,41% e o Índice Nacional de Custo da Construção (INCC), 1,31%. O coordenador dos índices de Preços da FGV, André Braz, explicou que na primeira leitura de novembro, a taxa do IPA segue influenciada pelos aumentos dos preços das matérias-primas brutas (2,31% para 4,19%) e dos bens intermediários (2,66% para 3,88%). Já o IPC desacelerou de 0,64% para 0,41% com os arrefecimentos dos grupos alimentação (1,30% para 0,82%) e vestuário (0,67% para 0,34%). Enquanto no INCC, o grupo Materiais, Equipamentos e Serviços subiu 2,45% e contribuiu para a alta da taxa em 12 meses do indicador da construção, que avançou de 6,19% para 7,88%.


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