Finanças

Nem mesmo alta em NY impede queda forte do Ibovespa na abertura pós-carnaval

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Imagem da Bolsa de Valores de São Paulo, a B3, na capital paulista (Crédito: Divulgação)

O Ibovespa iniciou o dia com forte queda, perdendo quase 5,7 mil pontos entre a mínima intraday (108.008,17 pontos) e o fechamento de sexta-feira (recuo de 0,79%, aos 113.681,42 pontos), ajustando-se ao declínio dos dois últimos dias em Nova York, de cerca de 6%, quando a B3 ficou fechada. A disseminação dos casos de coronavírus para além da China, onde há maior parte de ocorrências, preocupa o mundo, no momento em que já há dúvidas relacionadas ao crescimento econômico mundial.

Nos últimos dias, a doença se alastrou de forma expressiva em outros países, como Coreia do Sul, Itália e Irã. O Brasil também registrou seu primeiro caso.

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Às 13h22, o Ibovespa cedia 4,67%, aos 108.374,43 pontos, com queda generalizada da carteira, apesar da alta em Nova York.

A maior retração era registrada nos papéis das aéreas: Azul PN caía 9,47% e Gol PN tinha declínio de 7,78%. Vale ON e Petrobras perdiam na faixa de 7%.

Nem mesmo a alta das bolsas em Nova York após o tombo dos dois últimos dá alento ao Ibovespa nesta Quarta-feira de Cinzas. “Mesmo o movimento de hoje lá fora representa um ajuste técnico, de modo que não há razões para mudar a dinâmica negativa em meio às incertezas com a disseminação do coronavírus fora da China. No Brasil, onde o primeiro caso foi confirmado em São Paulo, as perdas globais da segunda e terça devem derrubar a Bovespa”, avalia em nota o economista Silvio Campos Neto, sócio da Tendências Consultoria Integrada.

Devido à alta volatilidade esperada para o dia, corretoras alteraram as margens de garantia para mini contratos, para reduzir o risco de quebra dos clientes. Na XP, por exemplo, subiram de R$ 25 para R$ 100 por contrato.

Somado ao temor de novas evidências da epidemia, a crise política ganha novos contornos após a publicação de vídeos pelo presidente Jair Bolsonaro, convocando a população a sair às ruas, no dia 15 de março, em defesa do governo e contra o Congresso. “Enquanto não houver uma acomodação externa com a questão do coronavírus e um esfriamento da crise política local, não há como apostar em reversão do panorama negativo”, acrescenta Campos Neto.

A queda é generalizada na B3, mas com recuo mais expressivo nas ações ligadas a commodities, já que a China é um dos principais parceiros do Brasil, especialmente da Vale, que exporta o minério de ferro para lá. A queda das companhias estavam perto de 7% por volta das 13h29. Ontem, os papéis das companhias negociados em Nova York por meio American Depositary Receipt (ADR) cederam 9,63% e 9%, ontem, respectivamente. Mas hoje se recuperam nos EUA, subindo perto de 2,00%.

Para o estrategista-chefe do Grupo Laatus, Jefferson Laatus, não tem como os mercados internos deixarem de “precificar” esses dois dias em que ficaram fechados e houve perdas em Nova York. “É impossível que fiquem alheios. E agora com a confirmação de um caso no Brasil é ingrediente a mais a acelerar as perdas na Bolsa”, diz Laatus, que não elimina a possibilidade circuit breaker.

O estrategista-chefe da Levante Ideias de Investimentos, Rafael Bevilacqua, concorda que o dia deve ser de fortes perdas na B3, mas descarta a chance de suspensão dos negócios, como ocorre quando há oscilação superior a 10%. “A abertura foi horrorosa, mas a tendência é que a B3 se acomode nos próximos dias. O mercado deve ficar histérico. O medo seduz as pessoas de forma absurda, mas ainda não temos nada concreto quanto ao impacto do vírus sobre as economias, apenas incertezas. Temos de esperar”, pondera.

A última vez que foi acionado o circuit breaker foi em 18 de maio de 2017, depois da repercussão das acusações do empresário Joesley Batista contra o então presidente Michel Temer.

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