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Navio iraniano com combustível entra em águas venezuelanas em escalada de tensão com os EUA

Navio iraniano com combustível entra em águas venezuelanas em escalada de tensão com os EUA

Posto de abastecimento em Caracas com o cartaz escrito "não há gasolina", em 14 de maio de 2020 - AFP/Arquivos

O primeiro de cinco navios iranianos enviados à Venezuela com combustível e produtos petroleiros entrou no sábado no território marítimo do país sob jurisdição venezuelana, em meio a uma escalada de tensões com os Estados Unidos.

“Os navios da irmã República Islâmica do Irã já estão em nossa zona econômica exclusiva”, comemorou o novo ministro do petróleo da Venezuela, Tareck El Aissami, sancionado por Washington e um dos funcionários do governo de Nicolás Maduro, acusado de “narcoterrorismo” pela justiça americana.

O navio petroleiro Fortune estava nas coordenadas 11°03’40”N e 62°08’43”W às 21H00, no horário local (01H00 GMT deste domingo), próximo à costa do estado de Sucre (no norte da Venezuela), depois de passar por Trinidad e Tobago, de acordo com o Marine Traffic.

O navio integra uma frota com uma carga de 1,5 milhão de barris de gasolina, de acordo com a imprensa local. Isso ocorre após uma escalada de tensão entre Teerã e Washington.

O governo iraniano havia alertado nos dias anteriores que haveria “consequências” caso os Estados Unidos, seu inimigo histórico há mais de 40 anos, impedissem a chegada dos navios na Venezuela.

Ao mesmo tempo, Washington classificou como “preocupante” a amizade entre Irã e Venezuela.

Segundo a emissora estatal, o Fortune planeja navegar até a refinaria de El Palito em Puerto Cabello (estado de Carabobo, norte. Conforme anunciado na última quinta-feira pelo ministro da Defesa, general Vladimir Padrino López, o barco é escoltado por navios das Forças Armadas.

O restante dos navios iranianos esperados pela Venezuela, chamados Forest, Petunia, Faxon e Clavel, chegarão nos próximos dias, informou a televisão estatal.

Um país tem em sua zona econômica soberania exclusiva para a “exploração e exportação” de recursos, mas países terceiros têm “liberdades de navegação e sobrevoo”, segundo a ONU.

Esses navios chegam a uma Venezuela quase paralisada pela falta de gasolina. A falta do combustível, que existe de forma crônica há anos nas áreas de fronteira, piorou durante a quarentena iniciada em março por causa do novo coronavírus.

Em Caracas, diariamente filas de veículos são formadas nos postos de gasolina, onde o combustível é racionado.

A fila começou na sexta à noite. “Vamos ver quantos litros eles vão nos fornecer”, disse Teodoro Lomonte, um vendedor de 50 ano, à AFP.

Os navios iranianos dão um respiro ao governo Maduro, mas “não terão impacto real sobre a atual escassez de gasolina”, explicou à AFP Luis Oliveiros, especialista em petróleo.

Em carta ao secretário-geral das Nações Unidas, Antonio Guterres, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Mohamad Javad Zarif, denunciou no último domingo “movimentos dos Estados Unidos para implantar sua marinha no mar do Caribe, a fim de intervir e atrapalhar” o trânsito de navios.

Zarif acrescentou que os Estados Unidos seriam responsáveis pelas “consequências de qualquer medida ilegal”.

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