Negócios

Nasce a Inbev das montadoras

Fiat Chrysler e Peugeot citrOËn anunciam fusão que dará origem à quarta maior companhia do setor no mundo, com valor de mercado de R$ 200 bilhões

Crédito: Leo Lara

Um dos maiores negócios deste ano acaba de ser fechado. A Fiat Chrysler Automobiles (FCA) e a PSA Peugeot Citroën anunciaram, na quinta-feira 31, que finalizaram o acordo para a fusão das duas companhias. Esse novo gigante do setor automobilístico já nasce com valor de mercado estimado em US$ 50 bilhões (cerca de R$ 200 bilhões) e será a quarta maior montadora do planeta, com quase 9 milhões de carros vendidos, ficando atrás apenas da Volkswagen, da aliança Renault-Nissan-Mitsubishi e da Toyota. Em comunicado oficial, as empresas divulgaram que “o plano para combinar os negócios resulta de intensas discussões entre a alta gestão das duas companhias” e que “ambas compartilham da convicção de que há lógica convincente para esse movimento ousado e decisivo.” Segundo a nota, o objetivo é “unificar forças para criar um líder mundial em uma nova era de mobilidade.” O acordo prevê, ainda, que os acionistas da FCA e da PSA terão o mesmo poder no controle do grupo: 50% para cada lado. As ações da companhia serão negociadas nas bolsas de Milão, Nova York, Paris e no pregão da Euronext.

Ficou acordado que o atual presidente da FCA, John Elkann, assumirá a presidência do Conselho da nova montadora, enquanto o executivo-chefe da PSA, Carlos Tavares, será o CEO e membro do Conselho. Tavares afirmou que “essa convergência traz valor significativo a todas as partes envolvidas e abre um futuro brilhante para a entidade combinada”. O atual CEO da FCA, Mike Manley, também celebrou a fusão. “Temos uma longa história de cooperação com o Grupo PSA. Estou convencido de que vamos criar uma empresa líder em mobilidade global”, disse Manley.

SINERGIA BILIONÁRIA A união da FCA (foto ao alto) com a PSA (acima) tem a meta de gerar R$ 18 bilhões por ano em sinergias. E sem fechar nenhuma fábrica no mundo (Crédito:Divulgação)

Ele declarou, ainda, acreditar que o grupo que nasce agora tem potencial para mudar a realidade do setor no mundo. Os números reforçam essa ideia, já que a nova companhia terá cerca de 400 mil funcionários e tem a meta de gerar quase R$ 18 bilhões em sinergias anuais de curto prazo e já anunciou que não pretende fechar nenhuma fábrica — diferentemente do que outras montadoras estão fazendo mundo afora. Somadas, as receitas da FCA e da PSA chegam a quase R$ 750 bilhões, com lucro operacional recorrente em torno de R$ 50 bilhões. O comunicado divulgado pelas companhias destaca pontos cada vez mais importantes para o setor, como mobilidade conectada, veículos elétricos e autônomos e investimentos em pesquisas e sustentabilidade. De acordo com o texto, o objetivo é “estimular a inovação e vencer desafios com rapidez e eficiência de capital.”

NOVA ERA A companhia produzirá veículos de todos os segmentos em que FCA e PSA já têm ação de peso, como carros de luxo, premium, de passeio, SUVs, picapes e comerciais leves. A intenção é “agregar as capacidades extensivas e crescentes das empresas em termos de tecnologias que estão criando uma nova era da mobilidade sustentável, incluindo motorização elétrica, direção autônoma e conectividade digital”. Já foi definido, também, que a sede da empresa será na Holanda e que seu Conselho de Administração terá representação equitativa e maioria de diretores independentes. Agora, a proposta da fusão será submetida ao processo de informação e consulta aos órgãos representantes dos empregados e estará sujeita às condições habituais de fechamento da operação, incluindo aprovações finais do Memorando de Entendimentos pelos Conselhos de Administração e acordo sobre documentação definitiva.

É interessante destacar que as próprias FCA e PSA são resultado de fusões anteriores. A FCA nasceu da união entre os grupos Fiat e Chrysler, enquanto que a PSA surgiu da absorção da Citroën pela Peugeot e posterior incorporação da alemã Opel e da britânica Vauxhall. Em ambos os casos, os processos de fusão foram bem-sucedidos, criando companhias mais fortes, sólidas e lucrativas. Ou seja, no mundo das grandes montadoras de automóveis, parece que a união realmente faz a força. E a nova FCA PSA deve confirmar essa ideia.