As Melhores da Dinheiro 2019

Nas mesas do mundo

Como as grandes empresas brasileiras, com destaque para a BRF, investem para colocar comida melhor e mais acessível no prato de uma população global crescente e com fome de novidades

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Lorival Nogueira Luz Júnior, diretor-presidente da BRF: “A demanda por alimentos vai crescer e vamos juntos, com qualidade, integridade e segurança, que é um princípio fundamental para nós.” (Crédito: Divulgação)

Nos últimos meses, a agenda de Lorival Nogueira Luz Júnior, 48 anos, tem sido intensa. Escolhido por unanimidade, em março, pelo conselho de administração da BRF para ser o diretor-presidente global da companhia, Luz Jr. decidiu que não era hora de se debruçar somente sobre números e planilhas. Era preciso, também, por o pé na estrada. E foi o que fez: em dois meses ele visitou unidades de produção de aves e de suínos nos estados de Santa Catarina, Mato Grosso, Goiás e Minas Gerais. “Fui me encontrar com os integrados, sentei para conversar com cerca de 750 produtores.

Nossa empresa de cadeia longa, por isso a visão é de longo prazo e de evitar mudanças abruptas”, diz ele. “Sim, em 2017 e 2018 a companhia teve prejuízo, mas iniciamos uma série de medidas que ao longo do tempo vem dando resultado.” Nascido na roça, em Poço Fundo, sul de Minas Gerais, onde não havia energia elétrica e uma de suas tarefas de criança era alimentar frangos e cuidar do chiqueiro de porcos, Luz Jr. sabe bem do que está falando quando vai ao encontro dos produtores: é nesse setor que a BRF, uma das maiores empresas de alimentos do mundo, precisa de estabilidade e de confiança no futuro para seguir em frente.

No ano passado, a receita líquida da BRF foi de R$ 34,5 bilhões, volume 3,2% acima de 2017. Mas, como em qualquer empresa, não basta entrar dinheiro no bolso, é preciso não sair. E aí ela vem patinando no lucro deixado no bolso de seus acionistas. Mas seus executivos não ficaram parados e a reação está vindo neste ano. O resultado operacional do segundo trimestre de 2019, dados mais recentes da companhia, veio com lucro líquido de R$ 191 milhões, ante um prejuízo de R$ 1,43 bilhão no mesmo período do ano passado.  Já a receita líquida foi de R$ 8,3 bilhões, um incremento de 18% ante abril a junho de 2018. E o Ebitda (geração operacional de caixa) ajustado chegou a R$ 1,54 bilhão, alta de 333,9%. “No segundo trimestre a companhia já deu lucro e seguirá dando lucro nesse ano”, afirma Luz Júnior.

Lorival Nogueira Luz Júnior / Empresa: BRF / Cargo: diretor-presidente global / Principal realização da gestão: Trazer para o mesmo discurso toda a empresa, dos produtores à exportação, visando um período de expansão sustentada (Crédito:Divulgação)

A BRF está no grupo das maiores empresas globais de alimentos, presente em 140 países com um portfólio de 4 mil produtos e marcas, com mais de 5 milhões de toneladas de alimentos produzidos por ano. Hoje, procurando brechas em um cenário econômico conturbado para a quase totalidade das empresas que atuam no País, construindo um caminho iniciado em 2012, quando as marcas Sadia e Perdigão foram unificadas sob a mesma direção. Pelo desempenho em sua gestão financeira e corporativa, a empresa é a campeã na categoria ALIMENTOS no prêmio AS MELHORES DA DINHEIRO 2019. “Nós estamos em uma fase de entender profundamente os mercados”, diz Luz Jr. “A demanda por alimentos vai crescer e vamos juntos, com qualidade, integridade e segurança, que é um princípio fundamental para nós.”

O cenário internacional explica boa parte da confiança da BRF no mercado, assim como para outras empresas que participaram do prêmio da revista DINHEIRO nesta edição, entre elas a Leite Jussara e a Minerva Foods, companhias que se destacaram nos primeiros postos. Na indústria alimentícia há 35,7 mil empresas que empregam diretamente 1,6 milhão de pessoas, o que representa 28,6% de todos os postos da indústria de transformação. Não por acaso, o Brasil é atualmente o segundo maior exportador de alimentos industrializados do mundo, enviando seus produtos para cerca de 180 países. Nos últimos anos, o valor tem ficado próximo de US$ 35 bilhões.

A estimativa da Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (ABIA), é que neste ano as exportações cheguem aos US$ 40 bilhões. Para este ano, a Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (ABIA) mostrou no mês passado um crescimento de 1,1% no primeiro semestre. “Há uma melhoria das expectativas dos empresários com o futuro do País”, afirma João Dornellas, presidente executivo da ABIA. “Isso é fator relevante para se viabilizar um novo ciclo de crescimento sustentado, baseado em investimentos e baixa inflação.” Com isso, o setor deve aumentar seus postos de trabalho. Em 2018 foram gerados cerca de 13 mil postos e a estimativa para este ano é que eles continuem em ascensão.

A BRF tem 85 mil funcionários somente no Brasil, mais 20 mil no exterior. Para o presidente Lorival Luz Jr., uma das missões da empresa é formar pessoas. “No campo, a gente tem que formar o estagiário, o veterinário, para que dentro de 5 anos, uma década, tenhamos essas pessoas de valor”, afirma. “A empresa é humana e o engajamento vem com um propósito único.” Para ele, o ponto principal da companhia é que o Brasil tem demanda por alimento e vai crescer. Para isso, Luz Jr. estaca quais podem ser as avenidas de crescimento da BRF.

Por exemplo, em inovação, que significa investimento em P&D, com uma nova unidade para atender os anseios de uma geração que deseja se alimentar de modo diverso, como os alimentos sintéticos. “Não temos nenhum problema de fazer esse tipo de investimento”, afirma o executivo. Também está na mira o mercado asiático, onde ocorre o crescimento da população. “Os estudos mostram que a Índia passa a China em população”, diz ele. “A gente não vai investir agora na Índia, mas temos que olhar porque ela é relevante.” O mercado halal, no oriente médio e Turquia, também é uma opção. “Nos Emirados já somos líderes de mercado. Investir mais no mercado halal também é uma avenida. Estamos olhando e monitorando”, afirma o executivo.