Economia

‘Não podemos retirar estímulos à economia de forma muito rápida’, diz Lagarde

A presidente do Banco Central Europeu (BCE), Christine Lagarde, defendeu nesta quarta-feira que os estímulos econômicos adotados para combater a crise do coronavírus na zona do euro não podem ser retirados “de forma muito rápida”. Apesar da ampla liquidez nos mercados em meio a injeções fiscais e monetárias sem precedentes, a dirigente reforçou seu compromisso com o apoio à economia do bloco e prometeu “recalibrar” o programa de relaxamento quantitativo (QE, na sigla em inglês) – hoje em 1,85 trilhão de euros – caso seja necessário.

Em evento virtual promovido pela Reuters, Lagarde chamou de “fascinante” o processo de revisão de estratégias de política monetária da autoridade. Segundo ela, a meta de inflação da zona do euro, hoje em 2%, precisa de “um grau de previsibilidade”. A tendência é que, ao fim do processo, o BCE adote o conceito do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) de “inflação média”. Ou seja: estabeleça uma meta de inflação que possa ser superada no curto prazo para ser cumprida no médio prazo, de modo a compensar o período em que a inflação rodou abaixo do objetivo, como o atual. O índice de preços ao consumidor da zona do euro (CPI, na sigla em inglês) caiu 0,3% em dezembro ante novembro.

Euro digital

A presidente do BCE voltou a citar estudos sobre a adoção de euro digital e reforçou que não se trata mais de “se”, mas “quando” a estratégia será adotada. “Espero que não demoremos mais de cinco anos”, declarou, no evento. Ela ainda comentou sobre o bitcoin: “é um ativo especulativo que precisa de regulação”, disse. O bitcoin tem batido recordes no mercado internacional. Na última semana, bateu os US$ 42 mil.



De olho nos impactos do câmbio na inflação, Christine Lagarde, repetiu que monitora o fortalecimento do euro ante o dólar com cautela. Ela voltou a dizer, no entanto, que a autoridade monetária não adota, atualmente, uma meta para a taxa de câmbio.

A fala é mais uma sinalização, por vezes apontada por analistas, de que o BCE pode ter dificuldades de intervir caso a apreciação do euro no mercado internacional ganhe tração. Apesar da recente valorização da divisa europeia e a desvalorização do dólar globalmente, a inflação na zona do euro segue baixa.

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