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“Não compramos o que todo mundo compra, mas buscamos ativos fora do radar”, diz Caio Lewkowicz, da Tarpon Capital

Crédito: Divulgação

Para o sócio da Tarpon Capital, Caio Lewkowicz, fazer análise financeira não é diferencial, pois a planilha aceita tudo. “O dia a dia de uma empresa ajuda a entender a probabilidade das coisas acontecerem” (Crédito: Divulgação)

Caio Lewkowicz, portfolio manager e sócio da Tarpon Capital, gestora de fundos da Tarpon, é o convidado do novo episódio do MoneyPlay Podcast, programa voltado para o mundo das finanças, apresentado pelo educador financeiro Fabrício Duarte. 

Formado em Administração de Empresas, Lewkowicz já trabalhou na área de private equity do Pátria, foi gerente de planejamento financeiro na Smart Fit e ajudou a fundar uma gestora de investimentos em renda variável antes de retornar à Tarpon. No programa, ele fala sobre carreira e sobre como a Tarpon Capital investe atualmente, além de oportunidades no mercado financeiro. 

>>> Assista aqui o vídeo na íntegra.

Desde a infância, Caio Lewkowicz sempre quis trabalhar com finanças. “Todo mundo na minha família tem um DNA empreendedor e montou seu próprio negócio”, conta. “Eu tinha essa sementinha como inspiração, mas nunca quis trabalhar com a família. Queria seguir meu próprio caminho.”

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Empurrão de Buffet

Na faculdade de Administração de Empresas, Lewkowicz começou a se envolver com o tema finanças. Ainda durante a graduação, ele fez um intercâmbio no Canadá. Lá, participou de uma disciplina de Value Investing, a filosofia de investimento do Warren Buffet, um dos maiores investidores do mundo. 

O professor despertou seu interesse sobre o assunto, mas foi uma visita ao próprio Buffet, ainda como  parte do programa de intercâmbio em 2008, que descobriu que queria ser investidor. “Passamos um dia com ele e pra mim foi um sonho. Foi a virada da chavinha”, lembra Lewkowicz.

Quando voltou ao Brasil, começou a trabalhar no mercado financeiro. Primeiro, na área de private equity (compra de participação em empresas não listadas em bolsa de valores) do Pátria. Lá, estudou por um bom tempo o setor de academias e identificou uma empresa pequena, mas que estava começando com um negócio inovador, a Smart Fit, do grupo da BioRitmo. 

A empresa adotava um modelo que já funcionava na Europa e nos Estados Unidos, mas não no Brasil. “O dono cobrava R$ 49 por mês e ganhava mais do que academias que cobravam R$ 200”, diz Lewkowicz. “Sabíamos que tinha algo interessante ali. Negociamos por um ano e meio e compramos 50% da empresa.”

Depois da aquisição, ele deixou o mercado financeiro e passou a atuar na administração da Smart Fit. “Ver como as coisas acontecem na prática foi super rico”, afirma. “Injetamos capital para o negócio crescer e, hoje, a empresa é uma das maiores redes de academia do mundo.”

De volta ao mercado

Após a experiência na economia real, o administrador trabalhou por um ano e meio na Tarpon, atuando com empresas listadas na bolsa. Em 2012, com apenas 25 anos, saiu para ajudar a fundar, com mais dois sócios, uma gestora de investimentos focada em renda variável. 

O negócio começou pequeno, com R$ 12 milhões vindo de amigos e família. Sete anos depois, alcançou R$ 1 bilhão em patrimônio. “Foi um baita aprendizado como investidor e como empreendedor”, afirma. “Era preciso trazer pessoas, clientes e montar processos. Foi super desafiador.”

Lewkowicz deixou a sociedade e voltou à Tarpon Capital em 2019, agora como portfolio manager, gestor de fundos de renda variável (ações). Hoje, a empresa administra dois negócios, um negócio 100% focado na bolsa, a Tarpon Capital, que administra R$ 2 bilhões, e outro que engloba três gestoras de private equity, com patrimônio de R$ 5 bilhões, focadas em Agronegócio/Alimentos, Tecnologia/Saúde e Serviços de Software para Logística. A Tarpon é, ainda, controladora e maior acionista da Omega, uma das principais empresas de energia renovável do Brasil.

Atualmente, o administrador atua nos dois fundos administrados pela Tarpon Capital e estuda as empresas em que investem, avaliando a qualidade do modelo de seu negócio. “Gastamos muito tempo com o processo de análise para tentar comprar empresas excelentes, líderes do setor onde atuam, mas com um desconto substancial em relação ao que ela vale”, explica Lewkowicz.

Investindo junto

Na Tarpon, 25% do capital investido nos fundos são de sócios e pessoas do time da gestora. “Somos os maiores investidores individuais: até 90% do nosso capital está aplicado aqui”, afirma. “A gente tenta não errar, mas se errar, vai doer muito mais na gente do que nos nossos investidores.”

O fundo Tarpon GT, focado em empresas menores e menos líquidas na bolsa, não está mais aberto a novos aportes para preservar a estratégia aplicada. Tem R$ 1 bilhão. Já o fundo Tarpon Wahoo, ainda aberto, foca em grandes e médias empresas, em sua maioria, especialmente nos setores de saúde, agronegócio e empresas de consumo. A gestora acredita que poderá crescer até R$ 4 bilhões.

Cada fundo investe entre 10 e 15 empresas. “Estamos sempre revisitando a tese de investimento para ver se o que esperávamos de fato está acontecendo”, relata. “É um mercado super dinâmico.”

Na prática

Para o gestor, dá peso a essa análise não apenas a bagagem que a equipe tem sobre bolsa, mas também a experiência na economia real dos sócios da Tarpon. “O dia a dia de uma empresa ajuda a entender a probabilidade das coisas acontecerem, pois você entende a importância de pessoas, incentivos, metas, sistemas, estratégias etc.”

Lewkowicz afirma que o time tenta ser mais autoral possível em suas teses de investimento. “Não saímos comprando o que todo mundo compra, mas buscamos ativos fora do radar”, diz. Para o administrador, as grandes oportunidades estão em movimentos importantes do mercado que você enxerga à frente da concorrência ou quando se cria uma tese de investimentos antes dos outros.

E, olhando para novas tendências, aponta algumas apostas da Tarpon no momento. “A gente tenta sempre estudar a fundo essas mudanças de comportamento, novas tendências dos mercados de fora para antecipar tendências no Brasil.”

No segmento de e-commerce, destaca o processo de digitalização. “É um caminho sem volta e a pandemia só acelerou a tendência.” Ele também enxerga que o Brasil tem mais vantagem competitiva no agronegócio. “Aproximadamente 25% do PIB vem desse setor e o país tem ganho de produtividade quase todo ano há quatro décadas e achamos que continuará crescendo por bastante tempo.”

Outros setores são os de Logística/Portos, Saúde, especialmente verticalizadas, e empresas de consumo. “Quase 160 milhões de pessoas ainda dependem do SUS, então há uma oportunidade enorme de crescimento no setor”, afirma. “Já empresas de consumo com modelos de negócios que apontam para uma presença omnicanal (atender o cliente onde quiser – loja, online, WhatsApp) são o futuro.”

O administrador dá dicas para quem está começando a investir: estudar sempre, ter a cabeça aberta para mudar de opinião, aprender coisas novas e aprender com os erros. “É um aprendizado contínuo onde você acerta e erra”, diz. “Também acompanhe as cartas dos gestores sobre o cenário macroeconômico, as empresas e o que está dando certo ou não.”

Confira aqui todos os episódios do programa.