Nada do que foi será de novo do jeito que já foi um dia

Nada do que foi será de novo do jeito que já foi um dia

Esse trecho da música de Lulu Santos serve como luva para explicar o mercado automotivo brasileiro. A crise dos últimos dois anos reposicionou as marcas no xadrez da indústria. E agora que as vendas dão um primeiro sinal de reação, a certeza que fica é que as grandes passaram mesmo a ser cinco (Chevrolet, Volkswagen, Ford, Hyundai e Fiat) e que suas posições no ranking eram impensáveis até pouco tempo atrás.

Dava para imaginar que a Chevrolet venderia 25 mil carros a mais que a Volks em apenas um trimestre? Ou que teria o dobro de vendas da sempre popular Fiat? E que esta ficaria atrás da Ford e da Hyundai?

Foi exatamente isso que aconteceu. A Chevrolet lidera o ranking de carros de passeio com 72,4 mil emplacamentos em 2017, seguida bem de longe pela Volkswagen, que tem 47,5 mil. Cerca de 8 mil carros depois aparece a primeira disputa, entre Ford (39,3 mil), Hyundai (38,9 mil) e Fiat (36,2 mil).

Os números podem passar a impressão de que a Fiat está no desespero. Só que não. Para Turim, sede da empresa, não existe mais Fiat. Existe Fiat Chrysler Automobiles (ou FCA), com todas as marcas que vêm de carona, como a Jeep e a Dodge. Em Betim, onde fica a sede da FCA e a maior fábrica da Fiat no mundo, o pensamento é o mesmo. O jogo agora não é mais entre Fiat e Chevrolet, mas sim entre FCA e General Motors (ou GM).

O público brasileiro está bastante acostumado a ver os nomes Chevrolet e GM quase como a mesma coisa. Afinal, a GM nunca se animou a trazer as marcas Cadillac, Pontiac, Oldsmobile, Saturn e Opel para o Brasil. Mas agora vai ter que reinventar seu olhar para a Fiat, até se acostumar a enxergar a marca italiana como parte de uma estratégia global.

Vai daí que no ranking de comerciais leves a Fiat continua na liderança, com 26,2 mil emplacamentos. Tem uma vantagem enorme sobre seus mais próximos seguidores: Volkswagen (11,3 mil), Toyota (10,4 mil), Chevrolet (9,4 mil) e Renault (4,7 mil). Essa liderança da Fiat não seria suficiente para manter Betim em primeiro lugar, mas tem um peso gigantesco. E a soma das vendas da Jeep (19,3 mil) e Dodge (108 unidades) faz com que a FCA siga à frente da GM. Os oito carros vendidos pela Chrysler no primeiro trimestre não acrescentaram nada.

Diante disso tudo, no momento em que a indústria praticamente chega ao mesmo patamar de vendas do ano passado (472,0 mil contra 481,3 mil), eis que temos uma incrível diferença de apenas 62 veículos entre a FCA e a GM. Foram 81.934 carros licenciados pela Fiat Chrysler e 81.872 pela General Motors. Essa é a briga daqui para frente. O resto é reposicionamento de marca.

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Sobre o autor

Sergio Quintanilha é redator-chefe da revista Motor Show. Atua na imprensa automotiva desde 1989. Twitter: @QuintaSergio


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