O partido nacionalista hindu Bharatiya Janata Party (BJP), do primeiro-ministro Narendra Modi, reivindicou nesta quinta-feira a vitória nas eleições legislativas da Índia, depois que as primeiras tendências da apuração apontaram um triunfo esmagador.

“Índia vence de novo”, escreveu Modi, que aspira um segundo mandato, no Twitter, enquanto Amit Shah, líder do BJP e braço direito do primeiro-ministro, afirmou que “esta grande vitória é a vitória da fé do povo”.

Algumas horas após o início da apuração dos quase 600 milhões de votos, o BJP de Modi liderava em 300 circunscrições, o que o que representaria o mesmo número de cadeiras na Câmara dos Deputados, que tem 545 representantes.

Se a vitória for confirmada nestas circunscrições, Modi conseguiria uma esmagadora maioria, muito além das 272 que precisava para dispor de maioria absoluta, uma situação incomum na história política da Índia, país mais habituado a amplas coalizões.

A maior força de oposição, o Partido do Congresso de Rahul Gandhi, liderava em apenas 51 circunscrições.

Os resultados dariam ao BJP e seus aliados – que segundo as projeções devem obter 50 cadeiras – a maioria consistente de 350 deputados.

Mais de 67% dos 900 milhões de eleitores indianos compareceram às urnas entre 11 de abril e 19 de maio.

As eleições bateram todos os recordes em termos de tamanho e complexidade. A logística do processo custou aproximadamente 7 bilhões de dólares e todos os votos devem ser contados em apenas um dia.

As regiões vitais para a vitória de Modi em 2014 foram os estados mais populosos, como Uttar Pradesh e Bengala Ocidental.

– Insultos e notícias falsas –

A Índia, um país enorme que vai do Himalaia até regiões tropicais, ao sul, inclui megacidades poluídas, desertos e selvas, o que exigiu uma eleição celebrada em seis semanas.

A campanha foi repleta de insultos (Modi chegou a ser comparado a Hitler e com um “inseto”), assim como de notícias falsas espalhadas por redes sociais, em particular Facebook e Whatsapp.

Ghandi, 48 anos, tentou diversas linhas de ataque contra Modi, em particular pelos supostos casos de corrupção e queixas dos agricultores pelo fraco desempenho da economia.

O índice de desemprego se aproxima do ponto máximo em quatro décadas e para os milhões de indianos que entram no mercado de trabalho a cada ano.

Os investimentos estrangeiros, no entanto, aumentaram de modo tímido.

Modi é visto como uma personalidade divisiva. Os casos de linchamentos de muçulmanos e de membros da castas Dalit aumentaram, o que gerou inquietação entre os 170 milhões de muçulmanos que vivem no país.

Modi, 68 anos, conseguiu transformar as eleições em uma espécie de plebiscito sobre sua figura e gestão. Ele não hesitou em falar de si mesmo (na terceira pessoa) como o único que tem capacidade para defender a Índia.

Em 14 de fevereiro, um atentado matou 40 soldados na disputada região da Caxemira, um ataque reivindicado por um grupo baseado no vizinho Paquistão.

Modi ordenou ataques aéreos limitados no território paquistanês – de eficácia questionada – e se apresentou como o “guardião” da Índia.

“Cada gota de sangue de nossos soldados mortos será vingada”, declarou durante a campanha.

“Modi levou o programa nacionalista hindu a cada lar. Declarou que o país estava em perigo por causa do Paquistão e as pessoas acreditaram”, afirmou à AFP Hemant Kumar Malviya, professor de Ciências Políticas da Universidade de Varanasi.