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Na volta da NFL, conheça o Green Bay Packers, time de propriedade pública desde 1923

Time quatro vezes campeão do Super Bowl, ele fica na menor cidade a ter um time profissional nos EUA e tem 361.169 donos graças a venda de ações da equipe

Na volta da NFL, conheça o Green Bay Packers, time de propriedade pública desde 1923

Negociar as ações de um time é uma situação corriqueira, principalmente quando se fala em futebol. Gigantes europeus estão nas bolsas e tem seus valores a mercê de seus resultados em campo, assim como prestação de contas para seus diversos “donos”. A Juventus, por exemplo, chegou a ter valorização de 30,4% em suas ações (um total de 200 milhões de euros) após o anúncio da contratação de Cristiano Ronaldo.

Já nas ligas americanas de esporte, a situação é diferente. Tratadas como franquias, as equipes tem gestão mais pessoal, com donos ou famílias no controle. Por conta disso, não são incomuns as histórias de times que mudam de cidade, muitas vezes porque seu dono quer um novo estádio, mas acaba não recebendo suporte das autoridades locais através de doação de terra ou isenção de impostos. Aconteceu recentemente quando os Raiders, então de Oakland, anunciaram mudança para Las Vegas, após a prefeitura local anunciar a construção de um novo e luxuoso estádio para a equipe.

Há uma exceção, porém, e ela fica em uma cidade de 100 mil habitantes de Wisconsin, estado no norte dos Estados Unidos. É o Green Bay Packers, equipe da NFL que desde 1923 tem como seu dono 361.169 pessoas, quase todos cidadães de classe média local.

O estádio da equipe, o Lambeau Field, com capacidade para 81 mil pessoas. Mais de 80% da cidade de Green Bay cabe aí

Em uma liga em que donos brigam por milhões, novos estádio e melhores colocações na lista da Forbes, o Packers vai na contramão e mantém um modelo de negócio que o deixa perto de seus torcedores, um dos motivos de nunca ter saído de sua pequena cidade. E a história de como os Packers ganhou este nome e se tornou uma sociedade anônima foi uma mera casualidade. O time fundado em 1919 por dois amigos, um jornalista e outro operário, ganhou o nome após firmar patrocínio com a empacotadora Indian Packing. Quatro anos mais tarde, precisando de dinheiro para manter a operação, a dupla lançou a primeira oferta de ações do time.

Mas antes de sair comprando ações do time, é preciso explicar o sistema dos Packers, que difere dos atuais usados por clubes de futebol. Você não encontrará o time em nenhuma bolsa de valor, e durante a centenária história da franquia somente cinco foram as vezes em novas ações foram colocadas no mercado, todas do mesmo tipo, ordinária. Só que diferente das “AO” negociadas na bolsa, caso os Packers sejam vendidos, os donos das ações não receberão um tostão. A compra da ação tem caráter apenas administrativo: ela te dá o direito de votar a constituição de uma mesa diretora de 45 membros, cuja função é selecionar um comitê executivo de sete pessoas, que essas sim irão administrar o time.

Imagem de uma ação do Green Bay Packers

Mas afinal, para que serve a ação do time se ela não gera dinheiro? Ela existe para evitar o que aconteceu com os Raiders, citado no início do texto. A última venda de ações, em 2011, aconteceu para financiar uma reforma no estádio da equipe. Se fossem outros times, o financiamento nasceria de renúncias fiscais da cidade e Estado da equipe, e caso o governo não aceitasse o acordo, a chance do time sair da cidade é enorme.  É por conta do modelo de negócios dos Packers que eles continuam em Green Bay, a menor cidade a ser sede de uma equipe profissional nos Estados Unidos.

Packers, a chave do lucro da NFL

Apesar do sistema de ofertar ações esporadicamente, outro ponto que mantém os Packers competitivos é o sistema de divisão de lucros da NFL, que distribui o dinheiro igualmente entre as equipes, uma vez que negociações de direito de TV e uniforme são feitas em conjunto. Além disso, há o mecanismo de teto salarial, em que todos times tem o mesmo dinheiro para contratar jogadores, impedindo que times de cidades (e mercados) maiores tenham mais dinheiro para contratar jogadores. Dessa maneira, o Chicago Bears, arquirrival dos Packers e time da terceira maior cidade dos Estados Unidos, não necessariamente vai ser um time melhor que seu rival de Wisconsin mesmo tempo uma arrecadação maior de vendas de produtos licenciados.

Outro ponto curioso é que, através dos Packers, se descobre o faturamento anual da NFL. Por ser propriedade pública, os Packers precisam fazer prestação de contas, e é através dela que se descobre o faturamento anual da liga, que em 2017 passou de US$ 8 bilhões. O valor descoberto após a franquia divulgar que recebeu US$ 255 milhões da NFL.