Na indústria de caminhões, nada está tão ruim que não possa piorar

Com apenas 2,9 mil unidades vendidas em janeiro, o setor de veículos pesados volta ao nível de 1997 e tem o segundo pior mês da história

Na indústria de caminhões, nada está tão ruim que não possa piorar

Caminhões Volkswagen, da empresa MAN: recuo de quase 51% nas vendas em janeiro

Se você acha que o mercado de veículos leves vai mal (e vai), precisa saber a quantas anda o mercado de veículos pesados. Está praticamente paralisado. Faz muitos meses que a indústria de caminhões opera com mais de 70% de ociosidade. E o novo governo não está conseguindo corrigir esse problema.

Na última reunião da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), a crise no mercado de automóveis de passeio e comerciais leves foi minimizada. A indústria acredita que depois do primeiro trimestre as vendas retomarão o ritmo normal. Ninguém aposta no terceiro ano consecutivo de queda.

Quanto aos caminhões, o buraco é cada vez mais embaixo. O melhor ano dessa indústria foi 2012, quando 172,9 mil caminhões foram vendidos. Três anos depois, as vendas já haviam caído para 71,6 mil. E o ano passado fechou com apenas 50,5 mil licenciamentos. Foi o pior ano desde 1996 e esse número equivale ao que a indústria automobilística conseguiu no longínquo 1972 (50,3 mil caminhões vendidos), quando o Brasil estava sob regime militar e ainda vivia o “milagre econômico”.

Mas, apesar da crise, 2016 terminou com 4,4 mil caminhões licenciados em dezembro. Um alento, pois o ano começara com os mesmos 4,4 mil licenciados em janeiro. Portanto, a queda pelo menos estava estabilizada. Só que não. Veio janeiro de 2017 e o mercado desabou de novo, fechando com angustiantes 2,9 mil caminhões vendidos. Uma queda superior a 33%, tanto em relação ao mês anterior quanto em relação ao janeiro anterior.

O mercado de caminhões é dividido em cinco categorias e todas caíram em relação a janeiro de 2016: semileves (-31,2%), leves (-40,7%), médios (-48,4%), semipesados (-27,6%) e pesados (-28,2%). Na categoria que mais caiu (médios), a MAN (ex-Volkswagen) recuou 61,5%. Isso fez com que a Mercedes-Benz assumisse a liderança do ranking em 2017, com 889 emplacamentos.

Segundo Marco Saltini, vice-presidente da Anfavea e executivo da MAN, janeiro de 2017 foi o segundo pior mês da história, perdendo apenas para janeiro de 1997.

No geral, considerando as marcas de maior volume, as piores quedas foram registradas nessa ordem: MAN (-50,9%), Volvo (-42,5%), Iveco (-37,6%), Mercedes (-26,8%), Ford (-14,1%) e Scania (-2,4%). Para completar o panorama, as vendas de ônibus (que compõem o setor de veículos pesados) também teve uma queda expressiva: passou de 1.033 para apenas 504 unidades, considerando janeiro de 2016 e 2017 (queda de 51,2%).

Sem muito o que esperar do mercado interno para um futuro próximo, a indústria de caminhões torce para o agro-negócio continue prosperando e volte a puxar suas vendas, como tradicionalmente ocorre. Considerando tratores, colheitadeiras e outras máquinas agrícolas, houve uma redução de 33,6% em relação a dezembro, mas um crescimento de 74,9% em relação a janeiro do ano anterior.

Para a indústria de caminhões, a esperança é a última que morre.

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Sobre o autor

Sergio Quintanilha é redator-chefe da revista Motor Show. Atua na imprensa automotiva desde 1989. Twitter: @QuintaSergio


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