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Na gangorra das criptomoedas: bitcoin tenta se recuperar, mas saiba por que a ethereum deve estar em seu radar

Retomada dos preços nas últimas semanas mostra que nem tudo está perdido para esses ativos. Saiba o que os analistas indicam para o curto e o longo prazos.

Crédito: Istock

As criptomoedas ainda são rejeitadas por boa parte do mercado. O megainvestidor Warren Buffett disse, no encontro de acionistas da Berkshire Hathaway, em maio deste ano, que não compraria todos os bitcoin do mundo mesmo que só tivesse de pagar US$ 25. Para piorar a situação, os criptoativos tiveram uma forte desvalorização nos últimos meses, depois de atingir suas máximas históricas. O bitcoin, que já chegou a custar US$ 68,9 mil em novembro de 2021, estava cotado a US$ 23,2 mil na segunda-feira (1), queda de 66,3% desde o pico. O mesmo aconteceu com o ethereum, que teve sua máxima em US$ 4,8 mil em novembro de 2021, mas na segunda-feira valia US$ 1,6 mil, baixa de 66,6%.

Será que essa ala conservadora está certa? Para boa parte dos analistas, não. Segundo muitos profissionais do mercado, ainda há luz no fim do túnel para esses ativos. A queda generalizada nos preços deveu-se ao aperto monetário realizado pelos principais bancos centrais do mundo, em especial o Federal Reserve (Fed), o banco central americano. “A alta de juros provoca uma fuga de capital dos ativos de risco”, disse o analista de criptomoedas da Acquavero, Guilherme Bento.

Sendo assim, há uma expectativa de melhora para preços, tanto no curto quanto no longo prazos. Para ganhos em menor tempo, os especialistas recomendam o ethereum como uma boa opção. O motivo é a nova data de transição para o ethereum 2.0, anunciada na quinta-feira (28). A especialista em criptomoedas da Top Gain, Raquel Vieira, afirmou que “a atualização, também conhecida como The Merge, foi confirmada para setembro e até lá a criptomoeda terá novas altas”.

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“Existe a possibilidade de o valor de mercado do ethereum superar o do bitcoin ao longo dos anos por causa do The Merge” Guilherme Bento especialista de criptomoedas da Acquavero.

A The Merge é uma atualização tecnológica em que as provas de trabalho (proof of work) serão substituídas por provas de participação (proof of stake). Em vez do método atual, em que é preciso gastar energia para fazer um computador resolver um algoritmo complexo para validar transações e então ‘minerar’ (ser remunerado por) criptomoedas, como ocorre na prova de participação, o novo método vai validar transações pela ‘participação’. Os ‘validadores’ vão registrar moedas (stakes) que vão certificar as transações, e eles serão remunerados por isso.

Complicou? Simplificando, após essa atualização tecnológica as transações com base no blockchain que sustenta o ethereum serão mais seguras, rápidas, baratas e sustentáveis, porque o consumo de energia será muito menor. E o gasto de energia para realizar validações e minerar bitcoins é uma das principais críticas da economia ‘tradicional’ a esse mercado.

De acordo com os analistas, os ralis vão acontecer diante da expectativa sobre a nova melhoria na criptomoeda. No entanto, eles alertam que após a conclusão do The Merge a tendência para o ethereum não será tão boa. “É possível que os preços continuem pressionados e sofram novas desvalorizações caso o cenário macro não melhore”, disseram os gestores de criptoativos da Órama Singular, Guilherme Pimenta e Felipe Prado. Desse modo, os analistas deixam claro que até setembro o ethereum vai continuar subindo, mas depois, a criptomoeda deve passar por uma forte realização de lucros. O que para os especialistas é algo de se esperar do mercado.

LONGO PRAZO Já Bento e Raquel não descartaram a possibilidade de a criptomoeda apresentar bons lucros no longo prazo. “Existe a possibilidade do ethereum passar o bitcoin no valor de mercado ao longo dos anos por causa do The Merge”, afirmou Bento. No entanto, os especialistas recomendam prudência ao investidor. “O mercado terá muita volatilidade até a metade de 2023”, disse o analista de criptomoedas da Acquavero.

O motivo é o ciclo de alta de juros, que mesmo com um tom mais brando anunciado pelo Fed na semana passada deve continuar a pesar sobre o mundo cripto. Por isso, a recomendação é comprar aos poucos para formar preço médio mais baixo. “É possível comprar uma fração da criptomoeda por até R$ 50. Esse é o melhor caminho para garantir bons lucros”, disse Raquel. Bento afirmou que quem comprar bitcoin hoje e suportar a volatilidade dos próximos meses ”deve colher bons frutos nos próximos dois ou três anos”.