Mesmo para mulheres que pertencem a famílias do agronegócio não é fácil assumir uma posição de liderança. “Precisei perseverar e trabalhar fora da empresa para provar que tinha capacidade de assumir o negócio”, disse Alessandra Nishimura, presidente do conselho da Jacto, de equipamentos agrícolas. Ela foi uma das participantes do painel Gestão e Sucessão nas Cadeias Produtivas, nesta quarta-feira, 26, durante o 7.º Congresso Nacional de Mulheres do Agronegócio (CNMA), em São Paulo.

Alessandra contou que a companhia de sua família foi fundada há 74 anos pelo avô, o imigrante japonês Shunji Nishimura. O pai de Alessandra assumiu o controle da Jacto nos anos 1990, mas, por conflitos familiares, foi demitido. “Foi uma crise muito grande, bem em meio ao governo Fernando Collor”, lembrou a empresária, que está na Jacto desde 2002.

Alessandra trabalhou em uma consultoria em fusões e aquisições antes de conquistar um lugar na empresa da família. Essa estratégia é comum entre mulheres do agronegócio, disse Marina Gonçalves, sócia da consultoria em investimentos Monte Bravo, que também participou do painel. “Muitas vezes as mulheres se preparam 200% e ainda se sentem inseguras de aceitar o desafio de assumir os negócios”, afirmou.

Avanço

Mesmo com as dificuldades, as mulheres têm avançado. Prova disso é a audiência do evento, que bateu recorde em 2022: 2,5 mil mulheres, 500 a mais que em 2019, última edição presencial do CNMA, que tem apoio da Associação Brasileira do Agronegócio (Abag) e o Estadão como parceiro de mídia.

Para Maria Lucia Murinelli, diretora de recursos humanos para América Latina da indústria química FMC, que trabalha com planos de sucessão, houve inegável evolução da questão do gênero – apesar de ainda haver barreiras. “As mulheres ainda ficaram mais entre as funções de suporte, como RH, regulação e jurídico – enquanto os homens continuavam à frente do negócio”, explicou. Segundo ela, porém, as novas gerações começam a chegar ao comando.

Planejamento

Planejar a sucessão também é importante. Na Jacto, foi criado um conselho familiar. Além disso, estabeleceu-se uma aliança familiar em que cada membro disse como gostaria de ser tratado pelos demais. “Toda vez que o clima esquenta, meu avô lembra da aliança e voltamos a nos tratar com respeito”, contou Alessandra Nishimura.

De acordo com Pollyana Saraiva, líder do segmento rural do banco Rabobank, há famílias que colocaram no contrato a realização de um jantar entre os sócios todos os meses. “Parece extremo, mas funciona para afinar o relacionamento fora do ambiente da empresa.”
As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.