Mulheres crescem em mercados majoritariamente masculinos

Mulheres crescem em mercados majoritariamente masculinos

Tenho dito aqui em textos anteriores que a empresa que não estiver atenta aos consumidores (as) antes excluídos do mercado ficará para trás, seja lá qual for sua atividade. Recentemente tive contato com um mercado tradicionalmente dirigido, operado e direcionado para homens, mas a independência financeira feminina e a crescente presença das mulheres em cargos estratégicos tem mudado a face também do setor da previdência privada.

Martin Iglesias, especialista em investimentos do Itaú Unibanco (Crédito:Divulgação)

Ao entrevistar Martin Iglesias, especialista em investimentos do Itaú Unibanco, foi possível perceber o crescimento surpreendente de mulheres que contrataram planos de previdência privada em 2017, um aumento de 19,5% na comparação com o ano anterior. Já em relação a 2015 o crescimento foi de 46%. Destaque para a evolução do número entre as mulheres solteiras, que dobraram a sua participação no segmento em um período de apenas dois anos.

Mas vamos à entrevista, pois os números são surpreendentes até mesmo para um país como o Brasil, onde as diferenças salariais entre homens e mulheres e entre brancos e negros ainda são gritantes.

Como o senhor vê a participação das mulheres no mercado de previdência?
Quando falamos em previdência privada observamos que a representatividade feminina vem crescendo nos últimos anos. Por exemplo, no Itaú Unibanco, as mulheres já representam 41% dos planos contratados. O número de mulheres que aderiu aos planos de previdência em 2017 cresceu 19,5% em relação ao mesmo período do ano anterior. Considerando o período desde 2015, esse crescimento foi de 46%. Uma das razões para esta boa notícia foi a evolução do número entre as mulheres solteiras, que dobraram a sua participação no segmento em um espaço de apenas dois anos.

Falando de forma geral, é possível observar diferenças no perfil de risco entre homens e mulheres?
Cada investidor tem o seu próprio perfil, independentemente de suas características físicas e sociais. Conheço mulheres que são extremamente arrojadas na hora de investir e homens que não suportam nada além da renda fixa. No entanto, é possível observar algumas diferenças no âmbito geral.

E quais são essas diferenças?
Os estudos que abordam a definição dos perfis de risco por gênero mostram que as mulheres tendem a ser mais conservadoras em relação a seus investimentos. De fato, as nossas clientes confirmam essa conclusão. Até 2017, 94% delas eram identificadas como conservadoras ou moderadas, proporção que diminui para 87% quando se olha a carteira de preferência dos homens. As mulheres também estão mais atentas à administração do orçamento da casa e da poupança por serem as principais influenciadoras das decisões de consumo das famílias.

Mesmo sendo mais conservadoras, as mulheres estão dispostas a aceitar riscos?
Sim, as mulheres dão prioridade para decisões mais seguras a partir de escolhas calculadas que levam a um equilíbrio entre risco e retorno. Durante os períodos de volatilidade, elas demonstram estar mais preparadas.

Apesar de mais propensas a lidar com o mercado financeiro, a participação das mulheres no mercado financeiro ainda é inferior a dos homens?
Na carteira dos segmentos Itaú Uniclass e Itaú Personnalité, por exemplo, 38% dos investimentos são feitos por mulheres.

Isso deve mudar nos próximos anos?
Nos últimos dois anos houve crescimento da participação de mulheres na corretora em investimentos de tesouraria, previdência, fundos e poupança. Tudo isso é fruto das transformações sociais e econômicas e também do empoderamento feminino no mercado financeiro.

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Sobre o autor

O blog Diversidade Corporativa, de Mauricio Pestana, ex-secretário de Igualdade Racial do município de São Paulo, é um espaço destinado à reflexão e ao debate sobre o panorama da diversidade racial e de gênero no mundo empresarial. Traz temas relacionados a políticas afirmativas e inclusão social e apresenta soluções para fomentar o desenvolvimento socioeconômico da população historicamente excluída da economia e ambiente corporativo no Brasil


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