Negócios

Muito além da crise

Depois de atrair mais empreendedores e amadurecer com a recessão, o mercado de franquias projeta novos saltos de crescimento nos próximos anos

Crédito: iStock

Boa gestão: um dos avanços apontados recentes é o crescimento do número dos empreendedores que possuem mais de uma unidade de uma mesma marca ou de redes diferentes (Crédito: iStock)

No Brasil, poucos são os setores com algo a comemorar nos últimos anos. Esse não é o caso das franquias, que saiu de um faturamento de R$ 88,8 bilhões, em 2011, para R$ 163,3 bilhões, no ano passado. O montante representou um crescimento de 8% sobre 2016, segundo a Associação Brasileira de Franchising (ABF), e consolidou o País como o quarto maior mercado global em número de redes que investem nesse formato, atrás apenas de China, Estados Unidos e Coreia do Sul. Se o passado recente desse modelo impressiona, seu horizonte é, na mesma medida, promissor. Depois de registrar uma expansão de 5,1% no primeiro trimestre, para R$ 38,8 bilhões, a projeção é de que o segmento feche 2018 com uma alta de 8% em sua receita. “E, com a perspectiva de um reaquecimento gradual da economia, há um cenário propício para novos saltos nos próximos anos”, afirma Altino Cristofoletti Junior, presidente da ABF.

Conhecido por ser uma alternativa mais segura e viável para enfrentar os períodos de crise, o mercado de franquias, certamente, se beneficiou da recessão duradoura no País. Mas o aumento no volume de pessoas dispostas a investir em um negócio próprio não foi a única conseqüência positiva desse contexto. Para os especialistas ouvidos pela DINHEIRO, depois de um boom entre 2014 e 2016, que atraiu toda sorte de empreendedores e franquias, o mercado passou por um “filtro”, que trouxe mais equilíbrio e qualidade nessas duas pontas. “A crise fez com que todos os elos do setor amadurecessem”, afirma Cristofoletti Junior. Ele ressalta que a maior parte das redes percebeu que era preciso reduzir custos e ampliar a eficiência no apoio aos franqueados, além de pensar em novos produtos, serviços, modelos e formatos.

Entre as tendências que ganharam força no período e que, ao que tudo indica, vieram para ficar, estão formatos reduzidos ou diferenciados, como os quiosques, contêineres e os negócios que os franqueados conseguem tocar a partir da própria casa. “A flexibilidade e a capacidade de se adaptar são traços característicos do segmento de franquias e que foram potencializados com a crise”, diz Roberto Vautier, especialista em varejo da consultoria AGR.

Ele também destaca o avanço no número dos multifranqueados, ou seja, das pessoas que possuem mais de uma unidade de uma mesma marca ou de redes diferentes, o que reforça a melhora na qualidade de gestão. Hoje, 84% das empresas contam com esse perfil em suas operações. Nessa seara, outro modelo recente no País é de gestão compartilhada, no qual os franqueadores e franqueados dividem, igualmente, os investimentos e lucros iniciais. Conforme o negócio evolui, o empreendedor pode ampliar, gradativamente, sua participação. “De um lado, o empreendedor reduz o risco. Ao mesmo tempo, a rede consegue moldar a pessoa dentro do seu perfil ideal de franqueado.”

A diversidade de opções de investimento no cardápio à disposição dos empreendedores é outro ponto. Além de segmentos tradicionais, como alimentação, outros setores mais recentes são apontados como de grande potencial para os próximos anos, entre eles, tecnologia, pets e serviços em geral. “Com o aumento da expectativa de vida, qualquer oferta relacionada à saúde e bem-estar tem ótimas perspectivas nos próximos anos”, diz Luiz Barbieri, professor de administração e coordenador do MBA em gestão de processos do IBMEC/RJ. Cristofoletti Junior, da ABF, acrescenta: “Hoje, o mercado é muito mais abrangente e tem opções para todos os bolsos e afinidades.”


Leia as matérias do Especial Franquias:

O momento é de oportunidades
“O setor de franquias não tem mais espaço para aventureiros”
A força das líderes
Como evitar o fracasso
A aposta nos bits e bytes