Por Ricardo Brito

BRASÍLIA (Reuters) -O novo ministro da Defesa, José Múcio Monteiro, destacou nesta segunda-feira o papel das Forças Armadas como instituições de Estado que respeitam seu papel constitucional e são regidas por hierarquia e disciplina, e disse que os acampamentos de apoiadores do agora ex-presidente Jair Bolsonaro nas imediações de instalações militares vão se esvair após a chegada da nova gestão.

“O Brasil e suas Forças Armadas sempre se posicionaram a favor da paz, da democracia, do respeito às instituições”, disse Múcio em sua cerimônia de posse. “Nossa história rica em exemplos mostra que a Marinha, Exército e Aeronáutica são instituições de Estado, respeitáveis e ciosas de seus papeis constitucionais, regidas pelos princípios da hierarquia e da disciplina nestas profundamente arraigadas”.

As declarações de Múcio vêm depois de meses de manifestações de apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro pedindo uma intervenção ilegal das Forças Armadas para reverter a vitória eleitoral do agora presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

O novo ministro minimizou os acampamentos de bolsonaristas nas imediações de instalações militares, apesar de ter sido de um desses locais que saíram pessoas envolvidas em atos de vandalismo em Brasília e até na tentativa de explodir uma bomba no aeroporto da capital.

Múcio afirmou que esses episódios são isolados, que há “parentes” e “familiares” que frequentam esses locais, em sua maioria de pessoas pacíficas, e que com o tempo os acampamentos serão desmobilizados.

“Acho que vai se esvair, na hora que o ex-presidente da República entregou seu cargo, saiu, o general Mourão fez um pronunciamento falando para todos voltarem a seus lares, aquelas manifestações no acampamento, falo com muita tranquilidade, é uma manifestação da democracia”, disse.

“Acho que aquilo aos pouquinhos vai se esvaindo e chegar a um lugar que todos queremos”, acrescentou.

Primeiro civil ministro da Defesa desde que Raul Jungmann deixou o cargo em fevereiro de 2018, Múcio procurou deixar claro que a relação com as Forças Armadas será institucional, após um governo em que o então presidente se referiu inúmeras vezes ao “meu Exército”.

“Cuidarei prioritariamente dos programas e projetos estratégicos conduzidos por esta pasta e as três Forças”, disse o novo ministro.

A posse de Múcio ocorreu em uma pequena sala do Ministério da Defesa reservada exclusivamente para os convidados, em sua maioria militaras e familiares. A imprensa assistiu à solenidade por um telão em outra sala.

Prestigiaram a posse de Múcio três ex-ministros da Defesa –Fernando Azevedo, Jungmann e Joaquim Silva e Luna–, além do ex-ministro das Minas e Energia do governo Bolsonaro Bento Albuquerque, que é almirante.

Prestaram continência militar os novos comandantes do Exército, general Julio Cesar de Arruda; da Marinha, o almirante de esquadra Marcos Sampaio Olsen; e da Aeronáutica, tenente-brigadeiro do ar Marcelo Kanitz Damasceno.

Múcio elogiou no discurso a atuação do ex-ministro da Defesa de Bolsonaro Paulo Sérgio Nogueira de Oliveira na transição. Contudo, o ex-titular da pasta não compareceu à cerimônia, assim como outro ex-ocupante da pasta na gestão anterior, Walter Braga Netto, que foi companheiro a vice na chapa derrotada à reeleição de Bolsonaro.

(Edição de Alexandre Caverni e Pedro Fonseca)

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