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Movimento 30% Club quer aumentar presença das mulheres nos conselhos de administração

Ele tem duas grandes metas: zerar a quantidade de empresas do Novo Mercado sem mulheres nos conselhos de administração até 2020 e alcançar 30% de participação feminina nos assentos até 2025

Movimento 30% Club quer aumentar presença das mulheres nos conselhos de administração

Com o objetivo de criar um melhor equilíbrio de gênero em posições de liderança nas empresas, o movimento 30% Club, iniciado no Reino Unido em 2010 e presente em 14 países, foi lançado oficialmente no Brasil nesta quinta-feira (21). A campanha mundial trabalha para que os conselhos de administração das grandes empresas listadas em bolsa tenham maior participação feminina – e que essa presença alcance pelo menos 30% das cadeiras.

No Brasil, o cenário é bastante desafiador. Das 142 empresas listadas no Novo Mercado, 65% não tem nenhuma mulher no conselho de administração. E naquelas que possuem alguma presença feminina, mulheres ocupam menos de 8% dos assentos, contra uma média global de 12,5%.

No Reino Unido, o movimento conquistou a adesão de empresas e da sociedade, colhendo resultados expressivos. Ajudou a elevar de 12% para 27% a participação feminina nos conselhos de administração das 350 maiores companhias britânicas. No Brasil, o movimento é coordenado pelas executivas Anna Guimarães, conselheira da Viver Incorporadora, e Olívia Ferreira, fundadora e CEO da empresa de recrutamento Enlight.

Foram traçadas duas grandes metas: zerar a quantidade de empresas do Novo Mercado sem mulheres nos conselhos de administração até 2020 e alcançar 30% de participação feminina nos assentos até 2025. “O princípio é que as próprias companhias assumam um compromisso formal e público de aumentar a participação feminina nos conselhos de administração”, afirma Anna Guimarães, co-chair do 30% Club Brasil. “Queremos engajar as lideranças. A campanha é colaborativa e busca somar esforços e acelerar essa mudança”, completa Olívia Ferreira, co-chair do 30% Club Brasil.

De acordo com Guimarães, os conselhos precisam ser diversos em todos os sentidos, com pessoas que conheçam o setor, outras que entendam de finanças, inovação e governança. “Mas também com pessoas de gêneros diferentes. É uma questão de competências diversas e complementares”, explica.

Carta coletiva

Em fevereiro, o Grupo de Investidores do capítulo Brasil do 30% Club encaminhou uma carta coletiva sobre este tema, algo inédito no Brasil, dos presidentes de conselho de empresas listadas no IBX100 da B3. Formado por grandes fundos institucionais nacionais e estrangeiros, capitaneados por Hermes Investment Management, Robeco, Petros, Previ e Leblon Equities, (incluindo a recente adesão do Blackrock como membro do Chapter Brasil do 30% Club.

O documento tem como objetivo sinalizar às companhias listadas a preocupação dos investidores com a diversidade na composição dos conselhos, incluindo a representação apropriada de gênero e um amplo espectro de habilidades e experiências, enfatizando a importância que os investidores dão a este tema. “Estamos formando uma cadeia de pressão e engajamento. É um método diferente das cotas. É um imperativo dos negócios”, afirma Jaime Gornstejn, diretor da divisão “stewardship” do gestor de ativos Hermes Investment Management.

Além disso, os investidores também manifestam o apoio à iniciativa do 30% Club. “Isso abre um diálogo com as companhias, em preparação para as AGOS 2019, encorajando o progresso na diversidade de gênero”, destaca Anna Guimarães.