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Mortes no círculo presidencial da RDC atribuídas à COVID-19 podem ter sido envenenamento

Mortes no círculo presidencial da RDC atribuídas à COVID-19 podem ter sido envenenamento

O Boulevar 30 de Junho de Gombe, em Kinshasa, em 25 de abril de 2020, durante pandemia de coronavírus - AFP/Arquivos

Várias mortes em torno do presidente da República Democrática do Congo (RDC) atribuídas à COVID-19 alimentam rumores de envenenamento de membros da elite política em Kinshasa.

Os boatos ganharam força com a morte súbita de um magistrado que instruía um julgamento anticorrupção sem precedentes.

Esse processo deve ser retomado na quarta-feira com um importante réu: Vital Kamerhe, diretor do gabinete e aliado do presidente Félix Tshisekedi.

No final de março, a primeira infectada foi a ministra da Economia, Acacia Bandubola, que perdeu sua irmã e irmão, seu colaborador.

Desde então, foram relatadas várias mortes entre pessoas próximas ao chefe de Estado: Jacques Ilunga, um dos principais negociadores do acordo de coalizão com o ex-presidente Joseph Kabila; o tio do presidente, monsenhor Gérard Mulumba, responsável pela “Casa Civil” (assuntos privados); ou Charles Kilosho, vice-diretor de Comunicação.

“Se não me engano, nesta semana enterramos duas, ou três, pessoas”, disse Tharcisse Kasongo Mwema Yamba Y’amba, porta-voz presidencial.

“Todos os serviços presidenciais estão em alerta”, reconheceu o porta-voz ao canal de televisão oficial RTNC, questionado sobre os rumores de envenenamento por essas mortes.

“Cientificamente, ainda não temos evidências para confirmar que existe algo além da COVID-19”, respondeu.

“Eu não saberia dizer se é COVID, ou veneno”, aventurou-se a dizer no domingo à rádio privada Top Congo FM, diante da mesma pergunta.

“Não sei se as necropsias foram feitas. Não ouvi nada sobre isso”, acrescentou.

Nesse clima de tensão, a opinião pública aguarda o resultado da necropsia do juiz Raphaël Yanyi, falecido na semana passada.

– Partido de Kamerhe –

Dois dias antes de sua morte, o magistrado, de 50 anos, presidiu o julgamento de Kamerhe e de outros dois réus, processados por desvio de fundos de cerca de US$ 50 milhões.

Yanyi morreu menos de 48 horas depois, por um ataque cardíaco, informou a polícia.

O Ministério Público anunciou uma investigação e solicitou uma necropsia para determinar as causas da morte. Essa foi realizada na sexta-feira, de acordo com a imprensa local.

“Os resultados ainda não são conhecidos”, disse nesta terça-feira à AFP Lambert Ombalakonde, porta-voz da família do juiz.

“Ainda temos que esperar mais alguns dias”, explicou à AFP um membro do Ministério Público.

Enquanto isso, a família descreveu como “especulação” a informação que circula na mídia e nas redes sociais.

No domingo, a rádio Okapi da ONU anunciou que “o juiz Raphaël Yanyi não havia morrido por morte natural. Um veneno teria sido usado para assassiná-lo”.

Esse meio, geralmente considerado confiável, alega apoiar-se no relatório da necropsia e em fontes judiciais.

O partido de Vital Kamerhe, União para a Nação Congolesa (UNC), lamentou os “ataques nas redes sociais que tentam atribuir” ao movimento essas mortes em série ocorridas na presidência.

A UNC deseja esclarecimentos “das preocupantes mortes na Presidência da República e a morte súbita do juiz”, solicitando neste caso “a intervenção de um médico forense, independente e internacional”.

Mais do que um chefe de gabinete, Vital Kamerhe, de 61 anos, foi o principal aliado do presidente para alcançar o poder.

Ex-presidente da Assembleia Nacional, Kamerhe se recusou a concorrer às eleições de novembro de 2018 para permitir que Tshisekedi fosse candidato. Ambos chegaram a um acordo, segundo o qual Kamerhe será candidato nas eleições de 2023.

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