Economia

Montadoras reagem em 2018, mas ociosidade das fábricas está em 40%

Montadoras reagem em 2018, mas ociosidade das fábricas está em 40%

Aquecendo os motores: O grupo HPE, responsável pela fabricação da marca Mitsubishi no Brasil, anunciou investimentos de R$ 300 milhões para a produção de novos modelos em Catalão (GO)

Depois de um crescimento de cerca de 15% nas vendas deste ano – a segunda alta consecutiva após quatro anos de queda -, a indústria automobilística começa 2019 mais otimista e com previsão de novo resultado positivo. O mercado em recuperação, porém, não é suficiente para reverter a ociosidade, hoje de 40%. Isso significa que há uma sobra de capacidade de produção de 2 milhões de veículos por ano nas fábricas do País.

Essa ociosidade é cara para as montadoras porque edifícios e equipamentos parados ou subutilizados precisam de manutenção. Ao mesmo tempo em que precisa lidar com ativos ociosos, a indústria enfrenta uma revolução com a chegada de carros elétricos e autônomos, a digitalização das fábricas e revendas virtuais – processos que exigem elevados investimentos.

A capacidade produtiva brasileira está em cerca de 5 milhões de unidades anuais desde 2014. Um ano antes, as montadoras tinham batido recorde de 3,7 milhões de veículos produzidos, após quase uma década de crescimento contínuo, e projetavam vender mais de 5 milhões de unidades (entre nacionais e importados) a partir de 2017.

Diante dessas expectativas, as empresas investiram em aumento de capacidade com base em uma demanda crescente. Esse movimento também teve ajuda das marcas premium Audi, BMW, Jaguar Land Rover e Mercedes-Benz, que abriram fábricas no País para escapar da taxação extra imposta aos veículos importados pelo programa Inovar-Auto, encerrado em 2017.

O cálculo da capacidade instalada considera a jornada em dois turnos em cada fábrica, com jornada diária de 8 horas, 250 dias por ano, segundo a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea).

A recessão, contudo, freou o avanço do setor. Em 2016, a produção recuou a 2,17 milhões de veículos, voltando aos níveis de 12 anos antes. A retomada começou no ano passado, quando atingiu 2,7 milhões de veículos (comerciais leves, caminhões e ônibus). Neste ano a produção deverá crescer 11%. Só não será melhor porque as exportações para a Argentina (que fica com 70% das vendas externas) e para o México, principais clientes brasileiros, tiveram forte retração.

“O mercado deve fechar 2018 perto de 3 milhões de unidades e, em 2019, poderemos chegar a 3,1 milhões apesar da já esperada queda nos volumes para a Argentina”, prevê Rogelio Golfarb, vice-presidente da Ford.

A pequena melhora não deve ter resultados significativos na geração de empregos, embora as empresas já tenham anunciado contratações. Caso da Mercedes-Benz, que abriu 600 vagas temporárias em São Bernardo, no ABC, para voltar a operar em dois turnos. A fábrica da Fiat em Betim (MG) também pode ampliar a mão de obra com o início da produção de um novo veículo em 2019, diz o presidente da FCA Fiat Chrysler, Antonio Filosa.

A Ford e a Volkswagen têm espaço para elevar a produção, ainda sem contratar. No caso da Ford, a unidade do ABC opera com metade de sua capacidade. “Se precisarmos ampliar a produção, faremos sem contratar”, diz o presidente do grupo na América do Sul, Lyle Watters. Pablo Di Si, que comanda a Volks, diz que a unidade Curitiba pode ir a dois turnos a partir de 2019 com a produção do T-Cross. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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