Coluna

Ministério da Saúde gastou menos de 30% dos recursos disponíveis para combater a Covid-19

Crédito: Pedro Ladeira

Na semana em que o mundo marcou 6 meses da crise do coronavírus, uma informação – mais uma – preocupou o Brasil. Com mais de 60 mil mortos e quase 1,5 milhão de infectados no País (na quinta-feira 2), o governo federal aplicou apenas 29,3% dos recursos que declarou ter disponibilizado ao Ministério da Saúde para combater a pandemia. Os dados são do Painel do Orçamento Federal, elaborado com informações do Sistema Integrado de Planejamento e Orçamento (Siop). Até agora, o Ministério gastou R$ 11,5 bilhões, de um total de R$ 39,3 bilhões que o governo afirma ter liberado.

O fato de essa verba ainda não ter sido aplicada em ações práticas é mais uma evidência da inoperância e da falta de comando do governo, especialmente na área da saúde. Para os especialistas, as interferências atabalhoadas do presidente do Brasil têm sido cruciais para agravar o problema. Enquanto isso, o mesmo governo publicou, na segunda-feira (29), no Diário Oficial da União (DOU), medida editada por meio da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) que obriga os planos de saúde a realizar testes sorológicos para detecção do coronavírus. Com isso, os beneficiários de planos ambulatorial, hospitalar ou de referência, com sintomas associados à Covid-19 – como tosse, fraqueza e febre – podem realizar o teste sem custos extras.

“Vemos com preocupação o que ocorre no Brasil. Infelizmente, Bolsonaro subestimou as consequências da Covid-19. Agora, estamos vivendo as consequências” Francesco Rocca, presidente da Federação Internacional da Cruz Vermelha.

FGV: Brasil entra em recessão

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Agora, é oficial. A pandemia jogou o Brasil numa recessão. A conclusão é do Comitê de Datação de Ciclos Econômicos (Codace), da Fundação Getulio Vargas (FGV). O grupo identificou um pico no ciclo de negócios do País, no quarto trimestre de 2019, configurando que a economia entrou em recessão já no primeiro trimestre deste ano. O relatório destaca que esse pico “representa o fim de uma expansão econômica que durou 12 trimestres”. O texto se refere ao período que vai do primeiro trimestre de 2017 ao último do ano passado. São várias as formas utilizadas para identificar quando uma economia entra em recessão. Uma delas é a recessão técnica, quando o Produto Interno Bruto (PIB) registra dois trimestres seguidos de queda. Uma outra aponta recessão quando há redução generalizada na atividade econômica, mesmo sem tombo do PIB em dois trimestres consecutivos. Esse é o conceito usado pelo Codace. Entre os indicadores analisados estão nível de emprego, comércio exterior e investimentos. No primeiro trimestre deste ano, o PIB do Brasil sofreu redução de 1,5%. E deve piorar. Para o segundo trimestre, a estimativa é de queda de 9,8%. Para 2020, as projeções para o PIB nacional vão de baque de 6,54%, do boletim Focus, do Banco Central, a redução de 9,1%, segundo o Fundo Monetário Internacional. Se um dos dois acertar, será o maior tombo da economia brasileira nos últimos 120 anos.

Via Varejo consegue alongar dívida de R$ 4 bilhões

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Dona das Casas Bahia e do Ponto Frio, a Via Varejo divulgou, na terça-feira (30), que conseguiu alongar R$ 4 bilhões de suas dívidas que venceriam em média nos próximos 60 dias. Com isso, o prazo médio subiu para 1,3 ano. A renegociação foi realizada em duas etapas. Na primeira, a empresa terá de utilizar R$ 1,5 bilhão em debêntures, com vencimento em junho do ano que vem e junho de 2022. Esse valor será empregado na compra de notas promissórias, com vencimento em setembro de 2020. A varejista também refinanciou R$ 2,5 bilhões de operações de antecipação a fornecedores, que venceriam ainda no segundo trimestre deste ano. Houve, ainda, uma capitalização que somou R$ 4,4 bilhões feita pela Via Varejo. Assim, as medidas adotadas pela companhia para reforçar e preservar o caixa chegam a R$ 8,4 bilhões.

Para elétricas, socorro de R$ 16 bilhões é pouco

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Articulado pelo governo federal para socorrer as distribuidoras de energia impactadas pela pandemia, o empréstimo de R$ 16 bilhões não agradou ao setor. Segundo o diretor da Associação Brasileira de Distribuidores de Energia Elétrica (Abradee), Marcos Madureira, o valor não é o bastante para compensar todas as perdas que as companhias do segmento tiveram – e continuam tendo – com a crise do coronavírus. O socorro vindo dos cofres da União, de acordo com Madureira, pode resolver apenas alguns problemas financeiros imediatos, mas ainda deixa as concessionárias em situação delicada. Chamada pelo governo de Conta-Covid, o pacote de empréstimos envolve um grupo de bancos e tem a coordenação do BNDES. Madureira destacou que a redução do consumo no País e a queda na economia nacional que está por vir causarão ainda mais impactos negativos às empresas do setor.

Embraer assume controle de empresa de cibersegurança

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Na quarta-feira 1º, a Embraer anunciou a assinatura de contrato para investimento no capital da Tempest Security Intelligence, empresa especializada em cibersegurança. A companhia aérea passou a ter, assim, participação acionária majoritária na Tempest. O valor do negócio não foi revelado e sua conclusão está sujeita ao cumprimento de determinadas condições usuais e aprovações. A Embraer já tinha participação indireta na Tempest desde 2016, por meio do Fundo Aeroespacial, criado pelo BNDES, pela Finep, pela Agência de Desenvolvimento Paulista (Desenvolve SP) e pela própria companhia.

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