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Milhares de manifestantes na Tailândia continuam a desafiar proibição a protestos

Milhares de manifestantes na Tailândia continuam a desafiar proibição a protestos

Manifestantes pró-democracia em um grande cruzamento de avenidas em Bangcoc - AFP

Vários milhares de manifestantes pró-democracia desafiaram neste sábado (17) – pelo terceiro dia consecutivo – a proibição de protestos em Bangcoc, um dia depois de grandes confrontos com a polícia, que usou jatos d’água para dispersar as multidões.

Neste sábado, o movimento ocorreu em várias zonas diferentes, fora do centro da cidade, aonde era difícil chegar depois que as autoridades fecharam todas as linhas de metrô.

Milhares de pessoas se reuniram no norte de Bangcoc e gritaram contra o primeiro-ministro Prayut Chan O Chan, dizendo: “Prayut, vá para o inferno!”, enquanto levantavam três dedos da mão, um gesto que se tornou um sinal de resistência, retirado do filme “Jogos Vorazes”.

“Se eu não protestar, não terei futuro”, disse à AFP Min, de 18 anos, que usava capacete e máscara de gás para se proteger, se a polícia atacasse.

Ao mesmo tempo, do outro lado do rio Chao Phraya, quase mil pessoas gritavam: “Viva o povo, abaixo a ditadura!”. No sudeste da cidade, outros manifestantes conseguiram parar o trânsito, com cartazes em que se podia ler “Não podem nos matar, estamos por toda parte”.

Panupong “Mike” Jadnok – uma das principais figuras do protesto – foi preso, segundo imagens transmitidas ao vivo pelas redes sociais. Ele é acusado de ter violado a proibição de protestos.

Também houve manifestações em outras regiões do país.

Formado em sua maioria por estudantes e nas ruas há três meses, o movimento pede a renúncia do primeiro-ministro, Prayut Chan O Cha. Ele chegou ao poder por meio de um golpe de Estado em 2014, legitimado por controversas eleições no ano passado.

Como reivindicações, também mencionam a reforma da poderosa e rica monarquia, um assunto tabu no país até poucos meses atrás.

O rei Maha Vajiralongkorn não comentou sobre essas manifestações, mas declarou na emissora pública que a Tailândia “precisa de um povo que ame seu país, um povo que ame a instituição” que a monarquia representa.

Na quinta e na sexta-feiras, milhares de pessoas se reuniram no centro da capital, apesar do decreto de emergência que proibia qualquer aglomeração de mais de quatro pessoas.

Dezenas de pessoas foram presas nos últimos quatro dias, incluindo dez líderes do movimento pró-democracia.

Alguns já foram soltos, outros foram libertados sob fiança, e outros – como o advogado Anon Anun Numpa, figura emblemática destes protestos e um grande crítico da realeza – foram presos no norte do país.

– “Prisões arbitrárias” –

O partido de oposição Pheu Thai pediu ao governo a libertação imediata dos manifestantes detidos.

O decreto é um “sinal verde” dado pelas autoridades “para violar direitos fundamentais e realizar detenções arbitrárias impunemente”, condenou a ONG Human Rights Watch, exortando a comunidade internacional a reagir.

“Não infrinjam a lei, (…) não vou renunciar”, alertou o general Prayut Chan O Cha na última sexta-feira, acrescentando que as medidas emergenciais seriam aplicadas por um período máximo de 30 dias.

A possibilidade de um toque de recolher na capital não foi descartada, se a situação persistir.

“Hoje, centenas de milhares de pessoas pedem por mudanças”, escreveu Yingluck Shinawatra no Twitter, convocando Prayut Chan O Cha a fazer todo o possível para “restaurar a paz”.

Somada às tensões políticas está uma grave crise econômica. O país, que depende do turismo e enfrenta a pandemia do novo coronavírus, está em plena recessão com milhões de pessoas desempregadas.

Segundo as autoridades, a aprovação do decreto foi motivada especificamente por incidentes ocorridos na quarta-feira contra uma procissão real.

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