Tecnologia

Microsoft aposta no Brasil

Em visita ao País, o CEO da companhia, Satya Nadella, mostra como pretende revolucionar a tecnologia investindo em Inteligência Artificial

Microsoft aposta no Brasil

Revolucionário: sob o comando de Nadella, a empresa diversificou seu negócio e cresceu 194% desde 2014

Quando Satya Nadella assumiu o comando da Microsoft, em fevereiro de 2014, ele prometeu aos seus funcionários que a companhia estava caminhando para lugares maiores. Para isso, a chave seria investir em inovação. Era uma promessa ousada, especialmente para uma empresa que havia anos se apoiava no sucesso de um mesmo produto: o sistema operacional Windows. A feliz aposta que colocou a companhia de volta ao topo como a mais valiosa do planeta, avaliada na quarta-feira 13 em US$ 819,4 bilhões, então, foi feita em Inteligência Artificial. Principalmente, em relação a serviços que possam ter relação com o segmento de computação em nuvem, hoje responsável por quase um terço do faturamento da empresa. Neste cenário, o Brasil não foi esquecido. “Há uma enorme oportunidade para gerar avanços em inteligência artificial, para empoderar o Brasil a conquistar mais”, disse Nadella, durante o AI+ Tour, evento da Microsoft realizado na terça-feira 12, em São Paulo.

Empoderar o Brasil significa dar mais poder não apenas aos empreendedores e aos consumidores, mas à economia como um todo. Segundo a Fundação Getúlio Vargas, 36,4% do Produto Interno Bruto do País em 2016 foi obtido com as receitas dos segmentos de agronegócio, transporte, comunicação e óleo e gás. O percentual correspondeu a R$ 2,3 trilhões do total de R$ 6,3 trilhões. A cifra poderia ter alta de 6,43%, no acumulado dos próximos 15 anos, caso esses segmentos se tornassem adeptos a novos processos que envolvam o uso de Inteligência Artificial. Já na previsão da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial, a chamada Indústria 4.0, termo que engloba modernos métodos de automação e de uso de dados para o trabalho, o Brasil teria uma redução de custos de US$ 73 bilhões ao ano com as novas tecnologias. O problema é que apenas 1,6% das fábricas do País estão prontas para operar dessa forma.

A boa notícia é que isso já está acontecendo. Ou, pelo menos, começando a ganhar corpo. Na terça-feira 12, Nadella anunciou que a Microsoft firmou parceria com o Sesi e o Senai e vai oferecer cursos de treinamento em Inteligência Artificial a estudantes dos dois centros de ensino para, segundo o executivo, “capacitá-los para os empregos do futuro”. Para Rafael Lucchesi, diretor do Senai e do Sesi, que juntos têm mais de 3 milhões de alunos, isso será “fundamental para que o País acompanhe a revolução tecnológica.”

Saúde em jogo: na área médica, a Microsoft mantém uma parceria com a AACD para modernizar, com videogames, a fisioterapia dos pacientes

No setor privado, uma parceria com a Vivo permitiu que a operadora criasse uma atendente virtual mais inteligente para solucionar problemas dos consumidores por telefone. Os grandes casos de sucesso, porém, são na área médica. O hospital Lucy Montoro, em São Paulo, e a AACD modernizaram seus tratamentos fisioterápicos. Já o também paulistano Hospital 9 de Julho usa a tecnologia para prevenir a queda de pacientes em leitos hospitalares, uma das principais causas do prolongamento do tempo de internação, segundo a Organização Mundial de Saúde. Para isso, o sistema identifica quando um paciente está se levantando da cama e envia um alerta para a enfermaria realizar o auxílio necessário.

Além das janelas Diversificar os negócios se provou uma aposta correta para a Microsoft. Os números mostram isso. No trimestre que encerrou em dezembro do ano passado, a receita com serviços de computação em nuvem, essenciais para o avanço da Inteligência Artificial, foi de US$ 9,4 bilhões, alta de 20%. O segmento já representa 28,9% da receita de US$ 32,5 bilhões da empresa no período — 12% acima da registrada entre outubro e dezembro de 2017.

O carro-chefe é o Azure. Em novembro do ano passado, de acordo com a Synergy Research Group, o serviço de hospedagem em nuvem da Microsoft detinha 15% do mercado, contra 34% do Amazon Web Services (AWS), da varejista americana comandada por Jeff Bezos. “O Azure se tornou uma ameaça para a Amazon”, diz Alex Salkever, analista independente do Vale do Silício. Isso porque a diferença já foi maior. De acordo com a Keybanc Capital Markets, o AWS tinha uma fatia de 62% dos negócios de nuvem no planeta, contra 20% que usavam o Azure como plataforma. Apesar de perder share — mais players invadiram o mercado —, a Microsoft diminuiu a diferença para o líder.