Economia

“Meu foco é a melhoria da rentabilidade e a redução do endividamento da Gerdau”

Gustavo Werneck, CEO da Gerdau, falou à DINHEIRO:

“Meu foco é a melhoria da rentabilidade e a redução do endividamento da Gerdau”

O sr. é o primeiro presidente que não faz parte da família. Qual é o seu desafio à frente da companhia?
Meu foco é a melhoria da rentabilidade e a redução do endividamento da Gerdau. Com base nisso, estamos acelerando as transformações culturais e construindo uma organização mais aberta, mais ágil e mais simples. Para alcançar isso, a inovação digital tem um papel fundamental. Após implantar várias frentes de inovação na área industrial, nosso foco agora é a relação com nossos clientes. Recentemente, passamos a ter um escritório no Vale do Silício para trazer mais rapidamente as inovações de startups para a Gerdau.

Quais foram as inovações digitais implementadas?
A Gerdau lançou uma iniciativa inédita na indústria global de aço, que é o controle do desempenho de mil equipamentos em diversas unidades no Brasil, em tempo real, por meio de 40 mil sensores instalados nas máquinas. Baseada em algoritmos e inteligência artificial, essa tecnologia está auxiliando a empresa a antecipar possíveis falhas nos equipamentos. Com isso, reduzimos custos de manutenção e aumentamos os ganhos. A estimativa é que a nova tecnologia possa aumentar em até 20% o ciclo de vida útil dos equipamentos. O projeto está sendo estendido para unidades na Argentina e nos Estados Unidos.

A Gerdau está em um processo de desinvestimento desde 2014. Quais são as próximas etapas?
Estamos na etapa final de nosso processo de desinvestimentos e estamos nos preparando para crescer no futuro.

O setor automotivo registrou um aumento de produção de 13% no primeiro semestre. Qual é a expectativa para este segundo semestre?
Esse é um setor muito importante para nós. Entretanto, para o segundo semestre, os baixos níveis de confiança do consumidor, principalmente após a greve dos caminhoneiros, devem impactar os volumes de produção da indústria automotiva, que é foco de aproximadamente 75% de nosso volume de vendas de aços especiais no Brasil. Apesar disso, as perspectivas de produção da indústria automotiva em 2018 devem superar 2017. Estamos investindo pesado em tecnologias de aços especiais, pensando nos veículos no futuro, como o lançamento de novos produtos, inteligência artificial e nanotecnologia.

Outro setor importante para a empresa é a construção, que ainda não se recuperou.
O que está evoluindo no segmento da construção civil é o varejo, de obras para a faixa de renda menor. Em relação à construção residencial para média e alta renda, a expectativa é que a recuperação seja sentida no ano que vem. Em relação à infraestrutura, esse movimento ainda não aconteceu.