Economia

Meta intocável

O alvo da inflação no Brasil não muda há vários anos. Sinal de acomodação ou um estímulo ao crescimento? 

Onze anos atrás, quando o Banco Central anunciou que adotaria metas de inflação, era o nono a aderir ao sistema já utilizado em países como Reino Unido, Canadá e Austrália. A primeira meta não era nada ambiciosa, 8%, com variação de dois pontos para baixo ou para cima – e a inflação naquele ano fechou em 8,94%. Nos anos seguintes, as metas foram sendo gradativamente reduzidas, até chegar aos 3,5% de 2001 e 2003. Mas o índice de país desenvolvido não durou.



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Entre os emergentes ou países ricos, a meta brasileira é uma das maiores
 

Em 2005, a meta subiu para 4,5% – e lá ficou. Na segunda-feira 21, o Conselho Monetário Nacional decidiu a meta de 2012, segundo ano do próximo governo. A manutenção em 4,5% não foi surpresa. “Ela tem permitido controlar a inflação e, ao mesmo tempo, estimular a economia sem colocar o BC numa camisa de força”, explicou o ministro da Fazenda, Guido Mantega.

Mas será que 4,5% é um número intocável? Não é possível baixar ainda mais a meta e perseguir uma inflação que permita dizer que a economia brasileira de fato entrou no caminho da estabilidade? Nos 26 países que  atualmente adotam o regime, o Brasil só perde para Gana, Sérvia e Turquia. Nos países desenvolvidos, a média é de 2%, e nos emergentes, não passa de 3,5%.

No Brasil, muita gente acha que já chegou a hora de ser mais exigente. “Já poderíamos ser um pouco mais ambiciosos”, diz a economista-chefe do Banco ING, Zeina Latif. “Seria bom se o governo sinalizasse, para médio e longo prazo, uma inflação menor. Existem resquícios de indexação que fazem com que a inflação se perpetue”, reforça Celso Toledo, diretor da LCA. Bernardo Wjuniski, da Tendências, também acha que é possível reduzir a meta no médio prazo.



“É preciso ir convergindo gradativamente para patamares de países desenvolvidos”, diz. Mas há quem pense que o momento não é propício. “O mundo está precisando mais de reafirmações do que de ousadia. A decisão está no caminho certo”, diz o economista-chefe para o Brasil do BNP-Paribas, Diego Donadio. Toledo acha que a escolha levou em conta justamente a estabilidade. “Se ela subisse para 5%, seria interpretada como uma sanção à inflação. Se caísse para 4%, indicaria vontade de esfriar a economia. Seria ruim”, diz.

Como aconteceu em sete ocasiões, este ano a inflação deve ultrapassar o centro da meta, chegando a 5,61%. Apesar do pico inflacionário deste ano, tanto o governo quanto o mercado concordam que a pressão deve diminuir nos próximos anos. A previsão do mercado para 2011 é 4,80%. Ainda acima do centro da meta.


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