Economia

Meta de déficit apoiada pela UE seria ‘suicídio’, diz ministro italiano

O ministro de Economia e Finanças da Itália, Giovanni Tria, afirmou que atualmente seria “suicídio” para a economia italiana, em “forte desaceleração”, se o governo do país tivesse de operar com base em um orçamento sob “restrição violentíssima”, cumprindo em 2019 a meta de déficit fiscal de 0,8% do Produto Interno Bruto (PIB) estipulada pela gestão anterior e vista com bons olhos pela Comissão Europeia.

Diante do presidente do Eurogrupo, Mario Centeno, e de jornalistas em Roma, a declaração foi dada pelo economista em resposta a uma pergunta sobre o risco de Bruxelas submeter a Itália a um Procedimento de Déficit Excessivo (EDP, na sigla em inglês). Tria descreveu a “restrição violentíssima”, com uma meta de rombo orçamentário de 0,8% do PIB, como o tipo de medida que Roma teria de adotar “com base no que foi falado para evitar esse procedimento no passado”.

“Eu não acho que a Comissão espera uma ação desse tipo, mesmo que, formalmente, seja respeitosa com as regras fiscais e orçamentárias ditadas pela Comissão”, comentou o italiano.

Ainda que diante das divergências e intransigências entre as partes, para Tria, o diálogo com Bruxelas pode continuar. “É claro que ressaltamos que o desvio da regra fiscal formalmente existe”, reconheceu. “Mas mantemos a discussão no âmbito das razões pelas quais existiu esse desvio.”

Em sua resposta sobre o risco de a Itália ser submetida a um EDP, o ministro apontou que, no passado, “quase todos os países violaram as regras”. “Em 2003, a Alemanha o fez pela primeira vez”, cutucou.

Tria insistiu no argumento de que o desvio da regra fiscal “não significa desafiar a legitimidade da existência das regras”. A decisão do governo sobre como proceder no impasse com a Comissão Europeia, ele concluiu, será vista no final ou no processo do diálogo entre Roma e Bruxelas.

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