Economia

Mercado já vê IPCA acima do centro da meta

Crédito: Arquivo Agência Brasil - Tânia Rêgo

No Índice Geral de Preços -10 (IGP-10) de fevereiro, o aumento foi de 2,97%, acumulando 28,17% em 12 meses (Crédito: Arquivo Agência Brasil - Tânia Rêgo)

A nova rodada de aumento de preços de commodities, sem contrapartida de valorização cambial, e a perspectiva de extensão do auxílio emergencial dispararam uma onda de revisões para a inflação neste ano, com crescimento do número de apostas superiores ao centro da meta (3,75%), mesmo com o cenário de alta de juros.

A combinação nefasta e atípica para a inflação, de commodities em alta e câmbio depreciado, vista também no segundo semestre de 2020, já produz seus efeitos nos preços no atacado, que registram fortes altas mensais. No Índice Geral de Preços -10 (IGP-10) de fevereiro, o aumento foi de 2,97%, acumulando 28,17% em 12 meses. E as notícias ruins não param de chegar, como o aumento de 10,2% da gasolina nas refinarias pela Petrobrás na última sexta-feira.

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Na avaliação de economistas ouvidos pelo Estadão, o repasse dessa pressão de custos deve ser inevitável, hipótese que ganha força considerando que a renovação do auxílio emergencial pode favorecer repasses de custos, principalmente em alimentos.

Recentemente, o Itaú Unibanco elevou sua projeção para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em 2021 de 3,6% para 3,8%. O Santander também aumentou sua aposta de 3% para 3,6%. O Banco Inter e a XP Investimentos também anunciaram novas estimativas acima do centro da meta, de 4% e 3,9%, respectivamente, citando tanto as commodities e os combustíveis, como as novas parcelas do “coronavoucher”. O Barclays já havia alterado a previsão de 3,6% para 3,9% após o IPCA de janeiro.

O Boletim Focus da semana passada trouxe a sexta elevação seguida da mediana para o IPCA de 2021, com alta marginal, de 3,6% para 3,62%, ainda abaixo do centro da meta. “A projeção da Focus me parece fora de lugar. A perspectiva de inflação, considerando os preços de atacado, não é de arrefecimento, não é de pressão temporária, passa a ser persistente, considerando o patamar do câmbio e o aumento dos preços das commodities em dólar. Há custos represados no IPA (Índice de Preços ao Produtor Amplo)”, diz o economista-chefe da Parallaxis, Rafael Leão. Ele projeta 4,5% para a inflação no fim do ano, sob a hipótese de que o câmbio deve continuar flutuando no patamar atual.

A economista-chefe da Armor Capital, Andrea Damico, afirma que os maiores temores se confirmaram, com o cenário de inflação a mercê de um choque duplo de câmbio e de commodities. “Mal terminamos de digerir o choque fortíssimo do ano passado e já entramos 2021 com novo choque de preços no atacado.”

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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