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Mel de Capanema, na região do Parque Nacional do Iguaçu, poderá ser o décimo produto do Paraná com Indicação Geográfica

Crédito: Prefeitura de Foz do Iguaçu / Divulgação

O mel de Capanema (PR) é produzido a partir do pólen extraído por abelhas de plantas nativas da região o Parque Nacional do Iguaçu, que abriga as famosas Cataratas (Crédito: Prefeitura de Foz do Iguaçu / Divulgação)

Quem aprecia vinhos certamente já notou siglas como AOC, IGT ou DOCG estampadas nos rótulos de garrafas. Elas se referem aos termos Apelação de Origem Controlada (usada na França), Indicação Geográfica Típica e Denominação de Origem Controlada e Garantida (ambas da Itália). Também países como Espanha, Portugal, Chile, Argentina e mesmo o Brasil (que atualmente possui seis regiões com Indicação de Procedência para vinhos e uma Denominação de Origem, no Vale dos Vinhos, Rio Grande do Sul) adotam critérios para definir a procedência e a tipicidade de produtos, não apenas vitivinícolas, mas de alimentos em geral. Mais que garantir a qualidade, as diferentes siglas indicam que os produtores adotam regras rígidas de cultivo, baseadas tanto em tradições locais quanto em pesquisas técnicas. O resultado é a certeza de respeito a normas específicas, o que permite aos produtores dentro de uma mesma Indicação Geográfica agreguem valor ao que elaboram.

No Brasil, há dois estágios de certificação para Indicação Geográfica. O primeiro é Indicação de Procedência (IP),  seguido pela Denominação de Origem (DO), em que as normas para confecção de um produto ou prestação de um determinado serviço são mais rígidas. Quem concede o selo é o Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI). O estado do Paraná  já possui nove produtos com Indicação Geográfica e está reivindicando que esse número suba para dez. A região de Capanema, no sudoeste paranaense, obteve junto ao INPI a nomeação do Melado de Capanema e está solicitando o título para o Mel de Capanema. Sua principal característica é a produção com pólen de flores do Parque Nacional do Iguaçu. O projeto vem sendo desenvolvido desde 2018 com apoio da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UFTPR – Campus Dois Vizinhos), além do Sebrae/PR e da Prefeitura de Capanema.



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De acordo com o presidente da Apic, Cleiton Cesar Lagemann, as abelhas produzem o mel a partir de plantas como a vassourinha, unha de gato, cambará e o louro – espécie diferente da utilizada como tempero. “São todas espécies nativas do Parque Nacional do Iguaçu. O mel de louro, por exemplo, é suave, saboroso e com uma consistência diferente”, afirmou. A marca que identifica o produto típico da região já foi protocolada junto ao INPI e, uma vez aprovada, poderá ser utilizada por qualquer produtor associado à entidade de produtores de Capanema, desde que siga as especificações técnicas e de boas práticas, mantendo as qualidades exclusivas do produto.

O município de Capanema possui 138 produtores de mel catalogados e o volume projetado para 2022 deverá ultrapassar a marca de 50 toneladas produzidas. A secretaria da Agricultura e do Meio Ambiente de Capanema, Raquel Szimanski, afirmou que cerca de 90% dos produtores possuem uma área equivalente a cinco hectares. Para ela, “nas propriedades pequenas, é preciso diversificar a produção para ter outras fontes de renda”.

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Apesar de o projeto utilizar o pólen de espécies nativas do Parque Nacional do Iguaçu, que abriga as famosas cataratas, ainda não existe uma parceria formalizada entre a administração do Parque e a Apic. Isso está para mudar. “O projeto já nasce com a visão de melhorar os processos e incorporar os princípios de sustentabilidade”, disse a dirigente do parque, Cibele Munhoz, afirmando que a iniciativa dos produtores converge com os objetivos da instituição. Para ela, “as abelhas têm papel importante na polinização das lavouras e da flora do parque”.