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Massacre de Uvalde, uma lembrança dolorosa para famílias de outras vítimas

O massacre em uma escola do Texas nesta semana reabriu as feridas de ataques semelhantes, como o de Sandy Hook em 2012 ou o da Flórida em 2018, enquanto as famílias das vítimas clamam em vão por leis mais rígidas de controle de armas nos Estados Unidos.

A associação Sandy Hook Promise, fundada por pais das vítimas desse massacre em Connecticut, reconstituiu no Twitter a longa lista de tragédias no ambiente escolar;



Instituto de Columbine (15 morto em 1999), escola primaria de Sandy Hook (28 mortos em 2012), Instituto de Santa Fé (10 mortos em 2018), Instituto de Parkland (17 mortos em 2018), Instituto de Oxford (4 mortos em 2021), colégio de Uvalde (22 mortos, incluído o autor, em 24 de maio de 2022).

“É infelizmente muito similar ao que aconteceu em Sandy Hook”, disse entre lágrimas Nicole Hockley, uma das fundadoras desta associação, na MSNBC.

– “Eco” –

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Salvador Ramos, um jovem de 18 anos com problemas familiares e afastado do colégio, atirou primeiro contra sua avó que queria impedi-lo. Depois, seguiu para a escola de Uvalde, onde cometeu uma carnificina com um rifle, matando 19 crianças e dois professores antes de ser abatido pela polícia. Pouco antes, havia anunciado suas intenções em um serviço de mensagens privadas do Facebook.


Em Sandy Hook, há dez anos, Adam Lanza, de 20 anos, matou sua mãe antes de se dirigir, fortemente armado, à escola do ensino fundamental e matar 26 pessoas – entre eles 20 crianças de 6 e 7 anos. Lanza se suicidou logo depois.

“É como se meu coração dilacerasse de novo e tudo que ouço é o eco de Sandy Hook”, confessou Hockley.

Mais uma vez, a Sandy Hook Promise voltou a pedir que regulamentem a venda de armas nos Estados Unidos, sem pôr em causa a sacrossanta segunda emenda da Constituição que garante a posse de armas.

A associação pede, entre outras coisas, que reforcem o controle dos antecedentes dos compradores de armas, proíbam os rifles e os carregadores de grande capacidade e que haja mais prevenção, principalmente com pessoas em risco de agir.

Segundo a organização Everytown For Gun Safety, 40.000 pessoas perdem a vida por ano por armas de fogo, 23.000 delas por suicídio. O país contabilizava cerca de 400 milhões de armas em circulação entre a população civil em 2017, isto é, 120 armas para cada 100 habitantes, de acordo com o projeto Small Arms Survey.

– “Braços cruzados” –

“Enquanto país, quanto tempo poderemos continuar de braços cruzados enquanto morrem menores inocentes?”, questiona a Sandy Hook Promise.

“Estou furioso (…) Sabíamos que iria acontecer. Não sabíamos aonde. Sabemos que voltará a acontecer mas não sabemos aonde”, declarou a emissora CBS Manuel Oliver, o pai de uma vitima do massacre do instituto de Parkland, na Flórida, em 2018.

“Houve mais de 250.000 vítimas de violência por arma de fogo” desde que seu filho Joaquín, de 17 anos, foi assassinado “com uma AR-15”, um rifle, por um ex-aluno da instituição.

Manuel Oliver fundou então o Change the Ref, que recorre à arte urbana ou ações, às vezes midiáticas e espetaculares, para tentar “reduzir a influência” do poderoso lobby pró-armas da NRA.

Muitas famílias permanecem lutando contra a proliferação das armas de fogo ou pedem reparação.

Em fevereiro, o fabricante Remington aceitou pagar 73 milhões de dólares em compensação para as famílias de 9 vítimas do massacre de Sandy Hook, por vender um tipo de fuzil semiautomático AR-15, o que Adam Lanza usou, apesar de não ter sido adaptado para uso civil.

Em uma espécie de condenação dupla, também teve que combater os ataques conspiracionistas, liderados por Alex Jones, figura da extrema direita americana, que defende que o massacre de 2012 foi simplesmente uma armação de opositores de armas de fogo.