Negócios

Mash com as mulheres

Tradicional fabricante de cuecas investe em moda íntima feminina e espera crescer 30% este ano mesmo num ambiente econômico difícil.

Crédito: Divulgação

Ao comemorar 50 anos de fundação, a Mash, fabricante de cuecas, meias e moda praia masculina, se prepara para entrar no mercado de moda íntima feminina. De acordo com o CEO Jaime Hara, uma coleção com dez referências de lingeries sem costura, cada uma com três cores e quatro tamanhos, já está com alguns representantes para apresentação aos varejistas. “É uma coleção enxuta para ser disponibilizada a poucos clientes. Ainda é um laboratório”, afirma o executivo. A linha dedicada às mulheres será lançada com a marca She, que deverá chegar em grande escala ao público consumidor por volta de agosto.

A ideia é produzir mais do que uma linha básica de calcinhas e sutiãs. Os estilistas já trabalham em cima de modelos com e sem costura, mais encorpadas, sensuais e para uso casual, além de moda praia. A expectativa é que a linha feminina alcance 5% do faturamento da companhia em 2020 e no horizonte de cinco a dez anos represente 50% do total das vendas. “Acreditamos que seja possível dobrar o tamanho da Mash nesse período”. Hoje, a receita da empresa de divide entre cuecas (65% do faturamento), meias (25%) e moda praia masculina (10%).

A empresa foi fundada pelos irmãos libaneses Elie, pai do atual CEO, Henri e Nissim Hara e fabricava cuecas da marca Mash e calcinhas da marca Hope. Há 20 anos, houve um acordo de separação e ficou combinado que por dez anos um não entraria no segmento do outro. Elie e Henri permaneceram com a Mash e Nissim com a Hope. Em 2018, a fabricante de cuecas investiu em máquinas para confecção de roupas íntimas masculinas sem costura. A nova linha vingou, mas o maquinário moderno estava subutilizado, o que encorajou a companhia a apostar no mercado feminino. “Temos um turno ocioso. As máquinas servem para fazer cuecas e calcinhas sem costura e é possível também fabricar muito produto diferente, não só underwear”, disse o CEO, para quem o momento é o ideal para investir em coleções femininas porque já foi ampliado o que era possível em moda masculina. “Antes era só cueca. Passamos a fazer meias, short, camiseta e sunga e agora nos estruturamos para o mercado feminino, que é muito mais competitivo.”

“Já passamos por tantas crises e sempre crescemos. Por que não passaríamos por mais esta? É hora de colher o que plantamos” Jaime Hara, CEO da Mash. (Crédito:Gabriel Reis)

Marcelo Prado, diretor do instituto Inteligência de Mercado (Iemi), avalia que a Mash está certa em investir em moda feminina porque se trata de um mercado três vezes maior e de valor agregado superior. É um segmento que envolve uma gama mais ampla de produtos. “A moda íntima da mulher engloba duas peças, calcinha e sutiã. Só aí já é o dobro do que se vende para os homens”, afirma. “Mas não é só isso, para a mulher há variações como ginástica, para não marcar roupa justa, para sustentação.”

65% é a participação das cuecas nas vendas da empresa. Meias representam 25%.

Prado, no entanto, não acredita que a Mash terá vida fácil por ter pontos de venda pelo País, pois são poucas as revendas que trabalham com ambos os públicos e porque há marcas fortes que dominam o mercado. “Entrar nesse nicho com marca própria é uma decisão acertada, mas não vai [a Mash] sentar na janelinha num primeiro momento porque já existe um número razoável de players relevantes”, diz. Segundo Prado, as lojas especializadas em lingeries têm em média 300 itens, muito acima das linhas masculinas, que têm entre 60 e 90.

PRODUÇÃO A Mash produz no Brasil 100% do que vende. São cerca de 3 milhões de peças por mês feitas em uma fábrica com 20 mil m² de área localizada na capital paulista e que emprega 1 mil funcionários. Os produtos chegam ao consumidor final por meio de 6 mil pontos de vendas e também há uma plataforma de e-commerce própria. Jaime Hara não divulga o faturamento da companhia. Limita-se a falar da projeção de crescimento: 25% a 30% em relação a 2019 – que já havia crescido 10% sobre 2018 –, pelo menos dez vezes maior que o setor de vestuário como um todo, cuja previsão é de alta entre 2,5% e 2,9%, segundo o Iemi. Previsão feita antes da pandemia de coronavírus, vale ressaltar.

Hara diz que a expectativa está acima da média em parte porque a empresa se preparou e em parte por puro otimismo. “Acontecimentos como a pandemia de coronavírus podem reduzir nossas projeções, mas nos preparamos no ano passado, investimos R$ 1,8 milhão em máquinas para ampliação de 30% da produção de meias”, afirma. “Antes já havíamos implantado máquinas para roupas sem costura e tem esse projeto para o mercado feminino. Já passamos por tantas crises e sempre crescemos. Por que não passaríamos por mais esta? É hora de colher o que plantamos.”

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